
(fevereiro/2008)
A história do câmbio do meu carro mais parece uma novela. E, eu, por minha vez, tornei-me praticamente refém do mecânico.
É um verdadeiro exercício de paciência e tolerância. Com o passar dos dias cheguei à conclusão de que era necessário manter a calma, não me exaltar e aguardar.
Sim, porque já fui, em outras eras, uma pessoa nervosa, de pavio curto, coisa que o tempo tem me ensinado a mudar.
Trata-se de um “Stratus”, fabricado pela Chrysler, ano 1999, câmbio automático.
Quando eu engatava para a frente (drive), para ré (reverse) ou mesmo em ponto de parada (parking), o câmbio dava uns solavancos que parecia que ia quebrar
Com esse problema primeiro ficou a dúvida entre consertar o câmbio ou vender o carro para comprar outro.
- Olha, pai – diz meu filho mais velho – consertar pode não ser a melhor coisa. Vai ficar caro e o carro continua sendo um 1999.
- Vamos tentar vendê-lo – diz o outro filho. – Assim você pode comprar um carro mais novo, mesmo que não tenha câmbio automático.
Todos sabem da minha paixão por carro hidramático.
Enquanto pensava e procurava a melhor alternativa, aconteceu uma coisa que, por assim dizer, determinou o rumo a tomar: de repente o câmbio só ia para a segunda marcha, ou seja, travou!
E agora? Agora o remédio era procurar um especialista em câmbio automático e procurar saber o que fazer e o quanto ficava para consertar.
Por indicação de um dos filhos, procurei um mecânico perto da casa dele. – “Pai, pode confiar. O pessoal do meu prédio tem a máxima confiança nele”.
Assim, levei o carro. O conserto do câmbio ficaria, no máximo, em... – e deu o preço. Achei que era razoável.
Aí começou o drama. Abrir o câmbio, trocar todas aquelas partes internas, depois fechar.
Liguei par saber como estava. Eu moro longe da oficina, quem mora perto é o meu filho; assim, o remédio era apelar para o telefone.
- E então, meu caro? Ficou pronto?
- Ainda não, mas eu aviso.
Assim passaram-se mais de quinze dias e ele começou a pedir dinheiro.
Pensei: se eu der, corro o risco de ser passado para trás em relação a outros clientes; mas, se não der, ele pode alegar que parou por falta de dinheiro.
Um verdadeiro drama!
Conclusão: dei praticamente a metade do dinheiro do orçamento.
Depois de dois dias liguei de novo.
Ih, seu Herci! Nem queira saber: o módulo de comando apresentou defeito; ainda bem que achei um especialista que pode consertar.
O módulo, para quem não sabe, é um verdadeiro computador de bordo, que comanda e controla praticamente todas as funções, como portas, air-bags, nível de óleo do motor, freios; até a velocidade na estrada pode ser comandada por ele.
Finalmente, ele também foi consertado.
Ufa! – E agora, dá para montar e entregar o carro?
- Ainda não, seu Herci. Tem um pivô inferior na suspensão que está quebrado e eu quero aproveitar para trocar. Ele só vem com um bandeja. Novo, do seu carro, custa mais de 2 mil reais. Mas vou conseguir um por mais ou menos cento e cinqüenta.
- Vai, compra e troca.
No dia seguinte:
- E agora?
- Já está totalmente montado, só que deu um pequeno problema e eu tenho que colocar o carro novamente no elevador para ver.
Foi o que ele fez, e eu no dia seguinte – perto de quarenta dias decorridos – liguei novamente.
- Estou carregando a bateria, pois o senhor há de concordar que, passados quarenta dias, a dita descarregou. Mas isso é rápido, pois eu tenho carregador na oficina.
Hoje ainda estou aguardando. Espero que ele funcione o carro, saia para dar uma experimentada e telefone dizendo que está pronto. E que não haja mais problemas, sejam no cabeçote, ou nas pastilhas do freio. Sim, porque pelo tempo que o carro ficou parado pode haver partes oxidadas, enferrujadas...
Sábado a minha família tem um encontro festivo em uma chácara nas imediações de Mairiporã. Será que poderei ir com o meu carro?