
Teria sido o clã finalmente sobrepujado pelas ligações afetivas, sociais e antropológicas da vida moderna?
Escrevi aqui mesmo no meu website sobre o clã, o que ele representava antigamente e o que representa hoje. Mas creio que o assunto não foi esgotado por mim naquele artigo.
Explico:
O clã, antigamente e através da eras, viveu o ambiente próprio do seu tempo: círculo familiar circunscrito ao poder representado pelo chefe, que tudo controlava, com poucas influências externas.
Assim: havia um chefe, ajudantes e muitas famílias e muitos filhos, dependentes da provisão e das ordens daquele – enfim, todos os que habitavam sob sua direção.
Nada era mais importante do que o pensamento coletivo do grupo, como já disse, que se sobrepunha aos de fora e aos dos demais clãs, dando idéia de união e boas relações internas.
Isso tudo já foi ventilado no artigo mencionado (“A família vista como clã”).
Acresce, porém, comentar sobre o que se poderia chamar de clã hoje em dia, ou seja, em relação à família moderna.
Parece que tudo hoje contribui para alterar o sentido tradicional de clã, em função da diversidade de pensamentos filosóficos, literários, sociais, em razão de que já não há, sequer, interesse dos membros de uma família de se apresentarem unidos como num verdadeiro clã.
Esses interesses hoje são dispersos e divididos entre os amores de adolescentes e jovens, e os comuns aos casais, sejam legalmente constituídos ou não, que têm entre si, eles sim, ligações afetivas fortes, mais fortes que os laços de sangue, e unindo de maneira muito mais intensa as pessoas, que muitas vezes se ligam à família até por questões financeiras.
No terreno profissional, da educação ou da formação moral e filosófica ocorre o mesmo: as pessoas que saem do ambiente do lar para as diversas atividades da vida (emprego, economia, política, etc.) têm entre si pensamentos às vezes diametralmente opostos, convivendo sob o mesmo teto – e a isso têm direito.
Sempre pensei que o que nos une como família fosse infinitamente mais forte do que o que nos divide. Assim sendo, aonde foi parar o clã? Onde o respeito pelos ascendentes? Onde a diferença entre os do mesmo sangue e os de fora?
Nada tenho contra, visto que hoje há plena liberdade de pensamentos e de atitudes.
Mas lembre-se sempre disso, para não ficar desiludido e decepcionado quando seu filho, seu irmão, seu neto tiver idéias e atitudes diferentes da sua.