Minhas cirurgias III

 

Das cirurgias que enfrentei, a maior, a que poderia apresentar eventualmente mais riscos foi a de revascularização cardíaca que, nada mais nada menos, é ou são as chamadas “pontes”.

A ponte nada mais é do que usar uma artéria para substituir alguma que esteja danificada.

No meu caso, foram três “pontes”, usando uma veia mamária, uma radial e uma safena.

Na véspera da intervenção, já devidamente internado, entrou em meu apartamento o cirurgião responsável, Dr. Puig. Não o conhecia, a não ser de fama, visto que ele tem alguns inventos médicos na área cardíaca, como é o caso da “válvula de Puig”.

Chegado o dia seguinte – o grande dia – todas aquelas providências de praxe, até o momento da anestesia (geral, é claro).

Para quem não faz idéia de como se realiza esta cirurgia, aí vão algumas informações –  de leigo:

O tórax é aberto pela parte central do tórax; eu achei que para este procedimento seria usada uma serra elétrica, tipo “makita”, mas não. O aparelho é realmente elétrico, mas trabalha dando pequenos golpes no osso.

Aberto o tórax afastam–se os pulmões e a intervenção segue o seu curso.

Não sei como o cirurgião escolhe as veias (da esquerda, da direita, da perna, do braço), mas deve ser algo resolvido ali, no ato. Por quem tem experiência de longos anos na área.

Terminada a colocação das “pontes”, o tórax é fechado e amarrado com um fio de aço, que não é retirado – em todas as radiografias ou tomografias posteriores, o tal fio sempre aparece.

Não sei também o tempo que durou a cirurgia. O que sei é que acordei da anestesia em uma unidade de recuperação, cerca do pelos filhos.

Ninguém pode imaginar a sensação de sofrimento que senti: uma pungente falta de ar, parecendo que ia morrer. Daí entendi que o órgão que sofre mais com a revascularização não é o coração: são os pulmões, porque ficam murchos durante a cirurgia e só voltam à sua capacidade plena com seções de fisioterapia.

Em seguida, recuperação no apartamento por dois dias.

Foi então que conheci a “Minha Amiguinha”, a Priscila, também convalescente, com quem travei bons papos, a despeito da diferença de idades.

Em seguida, alta, e vida normal – nada de ficar só dentro de casa e na cama.

 

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