
Eu já estava aposentado, morando em Ribeirão Preto, cidade para onde fui enviado como pastor pela minha Igreja.
Percebi que alguma coisa estranha estava acontecendo: comecei a sentir dificuldades quando tinha que olhar fixo para um objeto, ou quando tinha que usar uma chave de fenda em um parafuso. Simplesmente não conseguia.
Procurei um oftalmologista, que me informou que o meu problema era catarata.
– Para corrigir isso – informou – somente cirurgias, em ambos os olhos.
A princípio fiquei apreensivo.
– Hoje em dia – disse o oftalmologista – a extirpação de catarata com implante de lente é um procedimento relativamente fácil. A cirurgia é precedida de um exame. Para o cálculo da lente a ser implantada em cada pessoa, é utilizado um aparelho que irá definir o grau da lente mais apropriado para cada caso. Geralmente são utilizados os moderníssimos modelos de biômetros, permitindo um cálculo bastante preciso da lente a ser implantada. Assim, você terá “zerados” todos os problemas anteriores, como miopia, astigmatismo, hipermetropia, etc., e sairá das intervenções com a visão total.
– Intervenções? Como, intervenções?
– Sim, porque será operado um olho e depois, digamos, de um ano, será operado o outro. Vamos marcar?
– Claro – disse eu confiante.
Determinado qual seria o cirurgião, fui para a intervenção totalmente confiante, como sempre. Sim, porque se me pedirem para estender o braço para ser cortado, eu estendo sem medo.
No dia marcado compareci, fui introduzido, colocado na mesa cirúrgica e, feitas as devidas apresentações, iniciou–se o trabalho cirúrgico propriamente dito.
Estávamos em época de eleições e, durante a cirurgia, cirurgião principal e auxiliar conversavam animadamente sobre a eleição e os destinos da cidade. E eu, só ouvindo... Eles, nem se interessavam por mim (no bom sentido).
Daí, saí, com um cone de papelão sobre o olho, para evitar encontrões desnecessários, fui para casa e voltei, daí a uma semana, para tira os pontos.
Para compensar o olho operado e o outro, foram receitados óculos provisórios.
Provisórios por um ano. Daí, voltei para a segunda cirurgia.
Os mesmos preparativos, a mesma introdução à mesa cirúrgica e a presença do cirurgião, mas sem o auxiliar.
– Então, tudo bem?
– Sim, doutor.
Iniciou–se a cirurgia, mas com uma diferença: como não havia eleições e nem auxiliar, o ambiente estava totalmente quieto. Aquilo me fez entrar em ótimo clima, que me levou a adormecer. Só acordei a um toque do médico, quando a cirurgia já havia terminado.
A mesma rotina pós–operatória e um final dentro da normalidade.