
08/06/2009
Ainda me lembro, como se fosse hoje, da primeira vê em que um cirurgião fez uma intervenção invasiva em mim: foi quando da minha operação de amígdalas, numa cidade da Nova Alta Paulista onde morei por bons tempos.
Eu já era casado, ainda não tinha filhos, e minha garganta vivia inflamada.
Hoje, a recomendação é não operar ou, se isso não for possível, protelar o máximo a sua extirpação, visto que aquelas duas glândulas, localizadas no fundo da garganta, servem de aviso ou mesmo de defesa contra infecções. Sua função é identificar invasores que entram pela boca. Devido à sua localização estratégica - na encruzilhada entre a boca, o nariz e a garganta, as amígdalas acabam percebendo e processando todas as bactérias que invadem o organismo, pelo ar ou pelos alimentos.
Mas na década de ’70 era comum e usual a cirurgia.
A particularidade foi que eu tinha também uma fimose que já estava incomodando. Procurei um médico que me disse que fimose não tratada também dificulta a higiene local, favorece o aparecimento de infecções e é altamente relacionada com o desenvolvimento de câncer do pênis.
E aconselhou-me a operar – diminuir o tamanho do prepúcio - a pele que envolve desnecessariamente o pênis, para evitar maiores problemas.
Como foi na mesma ocasião do problema das amígdalas, dois cirurgiões – um geral e outro otorrino – resolveram operar-me no mesmo momento, com anestesia geral.
Foi tudo feito com sucesso.
Fato interessante foi que, há uns dez dia, na Praça da Árvore, esperando um coletivo, sentou-se no banco ao meu lado um senhor de uns 30 ou 35 anos, que acabava de falar ao celular.
Iniciou conversa comigo:
- Estou fazendo os últimos preparativos para uma cirurgia.
- Ah!, é? E posso saber que tipo de cirurgia vai fazer?
- Fimose... - respondeu, meio envergonhado.
- Nada de mais – afirmei. – Eu também fui operado de fimose.
- Mas depois de casado?
- Sim.
Repetia-se com ele o que ocorrera comigo. Disse-lhe que era simples e corrigiria alguns problemas, especialmente na hora do coito.
- O senhor tem razão. Na hora sinto muitas dores e, às vezes, até chega a sangrar... Além de que formam-se resíduos muito mal cheirosos.
- Não se preocupe: vá tranqüilo para a intervenção...
Aí chegou a condução que eu esperava.
- Adeus, felicidade e boa sorte - desejei.