
Introduz Cristo numa parábola um cego que ia guiando a outro cego. O que guiava era cego, o que ia guiado cego era, também. Mas qual dos dois vos parece que era mais cego: o guia ou o guiado?
Muito mais cego era o guia. Porque o cego que se deixava guiar via e conhecia que era cego, mas o que se fez guia do outro cego tão fora estava de ver e conhecer que era cego, que cuidava que podia emprestar olhos.
O primeiro era cego uma vez, o segundo duas vezes cego: uma vez porque o era, outra vez porque ignorava a própria cegueira.
Só há realmente um guia capaz de nos conduzir pelo caminho do Bem e da Virtude, à Salvação Eterna. Esse guia é Jesus, Nosso Senhor.
Oh! como ando cego, enganado e perdido quando busco paz e consolação fora de vós, meu Jesus, alegria de minha alma! E ainda mais perdido quando me esqueço do amor que devo, e gasto a vida nos pecados que vos causaram tanta aflição e tristeza quando por mim padeceis no mundo! Abri, Senhor, meus ouvidos para que ouça vossa voz; abri meus olhos para que vejam claramente a vaidade das coisas mundanas e sigam vossos divinos exemplos; dirigi a minha vontade para que sempre queira o que vossa Providência quiser; inflamai meu coração para que participe de vossos sentimentos e dores, e jamais torne a renovar a causa de vossa aflição e tristeza.
(“Lendas do Céu e da Terra”)