
Você já ouviu falar em macacoa? Não?
Pois bem, macacoa é o mesmo que "doença sem importância", se é que há doença sem importância.
Em nossa vida de pais e mães nos defrontamos inúmeras vezes com as macacoas dos nossos filhos. É um resfriado, uma coceira, uma dor de ouvido, ou garganta.
Muitas vezes, até um bicho geográfico – aquele que dá geralmente nos membros inferiores (pés principalmente) e que consiste em uma larva que caminha sob a pele e vai fazendo uma espécie de caminho infeccionado. É a cientificamente chamada de "larva migrans" (aquela "que anda"). Esta já é mais difícil um pouco para curar, mas não deixa a lista das macacoas.
Lembro-me do dia em que meu segundo filho ficou com uma amidalite tão renitente, que o otorrino já queria extrair as suas amídalas. Chegamos a ir para o Hospital onde seria feita a cirurgia. Ele não chegava a chorar, mas olhando nos olhinhos dele, percebia-se a sua tristeza: fisionomia descaída, algumas lágrimas... No fim, desistimos da extração e ele foi medicado e sobreviveu (até hoje, quarenta anos depois...). Extremamente alérgico, esse nosso filho apresentou vários quadros durante a sua vida de inflamações causadas por picada de insetos e, também, de urticária-gigante. Mas isso tudo não foi nada.
Quanto ao mais velho, a coisa era mais grave: uma bronquite alérgica, ou asma brônquica, nem sei... Muitas vezes saiamos, eu e ele, de carro, pelas madrugadas, para tentar aliviar as suas crises através de distrações e historinhas. Ainda me recordo – coisa de mais de quarenta anos também – que fomos a Campinas atrás de um especialista que o examinou e optou por aplicar-lhe uma injeção: o lisochoque. Só sei que saímos do consultório do tal médico e, ali mesmo, na calçada, ele entrou em choque anafilático, foi ficando branco, branco, sentou-se em uma porta de loja, deitou-se em meu colo e assim permaneceu por vários minutos. Resultado: nunca mais voltamos ao médico do lisochoque! Hoje ele administra seu problema de alergia através de algumas terapias espirituais, e tem se saído bem.
A caçula, bem, a caçula, ao que me lembre, nunca teve qualquer problema desse tipo. Parece que ganhou um lugar especial no nosso coração (meu e da Jô), por ser menina. Hoje é médica e tem uma filhinha.
E quanto a doenças graves, sérias, que demandavam atendimento especial?
Só o mais velho, em duas ocasiões: uma colisão de motocicleta, que o levou a uma pequena cirurgia nos ossos da têmpora, e uma torção de testículo, que o conduziu com grandes dores ao urologista. Chegou tarde ao atendimento, quando não se podia fazer mais nada. Segundo o médico, ficaria com apenas um testículo, porém sem problemas maiores: a informação que teve foi de que "o segundo é estepe, pois basta um".
E assim era a nossa vida: cheia de momentos alegres e... alegres!