
Tudo teve inicio com Dario I, soberano do império persa e um grande conquistador. Ele foi o responsável pela primeira tentativa de domínio da Grécia. No entanto, foi derrotado na chamada Batalha de Maratona, por um pequeno exército de Atenas. Dario e os seus retornaram, humilhados.
Anos depois, antes de falecer, Dario determinou que o herdeiro de seu trono e novo soberano seria seu filho caçula Xerxes. Inicialmente, este resolveu pendências no Egito e na Babilônia. Só então dedicou-se ao seu mais audacioso plano: conquistar a Grécia. Atacaria a Grécia Central com seus homens por terra, apoiado por mar por mais de 200 navios.
Segundo o historiador Heródoto o exército de Xerxes era de dois milhões e seiscentos mil homens. Nada poderia detê-los. Em todo o caminho, as cidades curvavam-se ante a supremacia do rei persa. Trácia, Macedônia, Tessália, todas se submeteram a Xerxes.
Por sua vez, Leônidas, rei grego, decidiu defender o seu país com um número bem menor de soldados. Quando partiu ao encontro do inimigo, recebeu de sua esposa o seguinte incentivo: “volte com o escudo, ou sob o escudo", ou seja, “não se entregue: volte vitorioso, ou morto”.
Quando Xerxes e seu exército alcançaram o desfiladeiro das Termópilas tiveram uma inesperada e desagradável surpresa.
Os espartanos lutaram durante muitos séculos para dominar a área do Peloponeso oriental. Quando conseguiram estabelecer-se e dominar por completo a região da Lacônia, tinham o militarismo enraizado em seus costumes e hábitos. Depois, através de campanhas militares, conquistaram a Argólida e a Messéia, tendo, então, sob seus braços quase todo o Peloponeso.
A organização política deste povo funcionava da seguinte maneira:
Dois reis, representando importantes famílias diferentes, com poderes militares e religiosos. Acima destes, um conselho com os mesmos dois reis e mais 28 nobres. Uma assembléia, que aprovava ou rejeitava as propostas do conselho. Uma equipe de cinco pessoas, chamada de Éforo, com poderes absolutos, presidindo o conselho, a assembléia, podendo controlar distribuição de propriedades, determinar o destino de recém-nascidos, depor ou eleger reis, enfim, eram o poder supremo.
Para manter a supremacia da camada dominante sobre as outras, que eram muito maiores em termos numéricos, era fundamental o bom funcionamento do sistema militar espartano. Para tanto, todos tinham que fazer sua parte, em prol do coletivo.
Logo que nasciam, as crianças já ficavam sob jugo do estado. Se tivessem qualquer tipo de doença ou deformidade, eram sumariamente assassinadas. Os saudáveis aprendiam a servir e a abdicar do indivíduo em função do bem comum. Sofriam, eram castigados, passavam por diversas provas para fortalecerem seus corpos e espíritos, para aprenderem a ser determinados. Cada espartano devia ser um soldado perfeito, e sua maior glória era morrer em batalha. Voltar derrotado, jamais.
A partir daí, podemos voltar nossa atenção para o encontro de Xerxes com os espartanos e o motivo porque estes estavam nas Termópilas.
A Grécia, tendo tomado conhecimento do exército inimigo, realizou uma reunião na cidade de Corinto, com representantes de todas as regiões. Algumas cidades estavam predispostas a se render, outras ficaram na neutralidade. Atenas, Egina, Eubéia e Esparta decidiram formar uma frente de resistência.
O rei mandou os demais gregos embora, para se juntarem às forças que estavam se formando para resistir ao invasor e permaneceu com trezentos bravos junto ao desfiladeiro.
O estreito desfiladeiro, localizado entre uma montanha e o mar, era um ponto estratégico. Marcharam em direção a eles os espartanos, junto com alguns aliados. Ao mesmo tempo, uma esquadra grega, formada principalmente por atenienses, tinha a missão de apoiar as operações terrestres.
Quando Xerxes soube que um exército estava preparado para bloquear sua passagem, enviou batedores para tomar melhor conhecimento da situação. Ao descobrir o número de soldados do inimigo, não levou a sério a iniciativa e acreditou tratar-se apenas de "jogo de cena".
Não tinha idéia de quanto estava enganado. Ele acampou com seu séqüito por cerca de quatro dias, provavelmente porque parte de sua esquadra marítima havia sido destruída por uma violenta tempestade. Outra possibilidade seria exatamente a de não acreditar na real intenção dos espartanos de guerrearem.
No quinto dia Xerxes ordenou o ataque. Começaram aí as surpresas: seus homens foram sucessivamente repelidos pelos bravos inimigos. Durante dois dias várias tentativas inúteis de subjugar os espartanos foram feitas, sem êxito. Nem mesmo os “Imortais” - a tropa de elite de Xerxes - obteve sucesso.
Ao mesmo tempo, ocorreu um confronto no mar, entre as naus gregas e persas, já enfraquecidas em razão da tempestade. A batalha não teve vencedor, mas ficou clara a superioridade dos gregos nas águas.
Os persas já não sabiam como atravessar a barreira dos espartanos. Foi então que um nativo, de nome Ephialtes, revelou a Xerxes uma passagem secreta que possibilitava cercar os inimigos. Querendo juntar-se aos seus e não podendo, por decisão de Leônidas, acabou traindo os conterrâneos.
Durante a noite as posições foram ocupadas. Quando ficaram sabendo do ocorrido, os aliados dos espartanos decidiram retroceder. Mas estes, não. Fugir era intolerável, render-se, inadmissível. Antes morrer na glória da batalha, do que ser considerado covarde e desertor. Chegou, então, o terceiro dia.
Com a mais plena noção da impossibilidade de uma vitória, Leônidas e seus homens partiram para o ataque. Fizeram vítimas numa quantidade muito superior ao seu número. O rei sabia que era sua hora, pois o oráculo determinou que um monarca morreria naquela batalha. Ele e os seus lutaram primeiro com lanças, depois com espadas e, por fim, com os próprios punhos, até o final. Deixaram a vida, entraram para a história e se tornaram uma lenda heróica. Xerxes ficou impressionado e teve sua confiança seriamente abalada pela determinação daqueles guerreiros.
Após abrir passagem pelas Termópilas, Xerxes confirmou o seu intento. Com o caminho livre, invadiu a Grécia Central. Destruiu cidades rebeldes, poupou outras que o acolheram e, finalmente, invadiu Atenas. A maioria dos cidadãos havia fugido. Os poucos moradores que ficaram foram assassinados; e casas e templos foram pilhados.
O momento decisivo da batalha ocorreu no mar. A frota de Xerxes estava ancorada na enseada de Falera. As naus gregas, em Salamina. Xerxes ordenou o ataque. Os persas tinham uma frota muito superior, mais que o dobro do que os inimigos dispunham.
Quando a batalha começou, os gregos conseguiram sair da baía de Salamina e adotaram formação de combate. Como o canal era estreito, os persas, que tinham suas naus carregadas de tropas, ficaram confusos e chegaram a trombar entre si. Os gregos atacaram com todas as suas forças, e conseguiram uma vitória fulminante.
Xerxes assistiu a tudo, e tinha certeza que havia perdido uma batalha importante. Sem ter como abastecer seu exército, ordenou uma retirada. Contudo, não desistiu de seu intento. Deixou na Grécia uma armada com vários milhares de homens.
Essa armada, sob comando de Mardônio, voltou a investir contra os atenienses. Estes, cansados da guerra, ameaçaram uma aliança com os persas, caso Esparta não colaborasse para uma batalha decisiva. Os espartanos, então, enviaram seu exército, sob o comando de Pausânias, e novos confrontos aconteceram.
Numa frente os espartanos venceram os persas, enquanto os atenienses enfrentavam os beócios (aliados dos persas). Nova vitória dos gregos obrigou a retirada final do inimigo. Também no mar os invasores foram expulsos. Era o fim dos sonhos de conquista de Xerxes.
(Fonte: Internet)