
Os grandes “momentos” da minha infância estão distribuídos pelas seguintes localidades: Silvianópolis (cidade natal), Pouso Alegre, São Paulo e Marília.
Bem, lembrar exatamente os anos em que vivi em cada uma, já é outro assunto.
Na ocasião em que meus pais vieram para São Paulo em busca de uma vida melhor, nós éramos quatro irmãos. Com eles deslocaram-se para a Capital de São Paulo os dois mais novos, ficando eu e minha irmã na casa de vovô em Pouso Alegre, vindos de um breve tempo na cidade onde nascemos.
Não pretendo em nenhum momento desprezar ou esquecer minha avó e meus tios, mas as minhas lembranças melhores são com meu avô. Entretanto, falar tudo que fazíamos juntos é dispensável aqui, já que tudo foi minuciosamente referido em outra página deste site (“Minha vida com vovô”).
Assim, vou “mudar-me” logo para São Paulo e, com a Léa, unir-me aos outros dois.
Quase nada a relatar: eu tinha mais ou menos cinco anos e os outros três menos ainda, ou seja, praticamente nenhum brinquedo. O que eu me lembro é que à tarde, já limpinhos, cabelos penteados, sentávamos no degrau do portão, de onde apreciávamos o movimento da rua e nos deslumbrávamos com as propagandas e as músicas que nos vinham da parte alta da rua, mais precisamente em uma feira livre. O que poderíamos fazer morando em uma cidade já naquele tempo (1938) bastante movimentada?
Mas sempre há alguma coisa para contar. Sabedores “nós quatro” de que a cidade estava em campanha de vacinação, no dia aprazado resolvemos nos esconder no porão da casa, para onde levamos uma vassoura e trancamos o trinco. “Na hora, se eles nos descobrirem, damos uma vassourada na moça” – decretei.
Na hora em que “os homens” chegaram facilmente meu pai nos encontrou, nos desarmou e nos segurou na hora das vacinas que, chorando, tomamos...
Já em Marilia, para onde nos mudamos em 1939, um pouco mais crescidos, tínhamos os nossos brinquedos – observar e caçar borboletas no quintal, dando-lhes nomes era um deles; outro era brincar de caminhãozinho, feito de caixa de querosene, onde as rodas eram substituídas por dois pedaços de cabo de vassoura. Apenas não andava!
Quando mudamos para a Rua Ruy Barbosa, já mais crescidos, nós, os meninos, já brincávamos na rua – bolinha de gude, peão, pique-salvo... Logo mais tarde, caminhadas pelas estradinhas de terra, rumo às represas que abasteciam a cidade. Ali nadávamos e pescávamos.
Um pouquinho mais tarde, caçadas de espingarda e estilingue lá para os lagos do “buracão” – uma depressão muito extensa - que atingia o vizinho município de Pompéia, - com uns cinqüenta metros de profundidade. Costumávamos descer segurando nas raízes das árvores e nos cipós. Lá no fundo havia orquídeas, pássaros, lagoas e quedas d’água, onde passávamos horas e horas, só olhando e admirando. Era uma maravilha!...
Daí crescemos, e a brincadeira virou compromisso.