
A prática do ‘olho por olho,
dente por dente’ continua a ser realidade
A ‘lei de
talião’ (com ‘t’
minúsculo,
visto
que
não se
trata de
nome
próprio)
era a
lei
que imperava no
Velho
Testamento, do ‘olho
por
olho’, do ‘dente
por
dente’, da ‘mão
por
mão’, do ‘pé
por
pé’, recomendada
por
Jeová ao
seu
povo,
em
relação aos ‘inimigos’.
Ou seja, se
um do
povo perdesse
um
dedo, significava
que
eles iriam
cobrar do
inimigo, cortando-lhe o
dedo, se perdesse
um
olho, fariam o
mesmo ao
inimigo, e
assim
por
diante, chegando Josué,
como
líder
rumo à
terra prometida, a
comandar verdadeiros
extermínios de
adversários. Essa
famigerada
lei está registrada
em
lugares
diferentes,
como Êxodo 21:24, Levítico 24:20, Deuteronômio
19:21 e
outros
endereços na
Palavra de
Deus.
Por outro lado, convém não se esquecer também de que Jesus condenou essa prática
de maneira enfática em várias oportunidades. Veja, como exemplo, o texto abaixo.
‘Vocês ouviram que foi dito aos antigos: Olho por olho, dente por
dente. Eu, porém, digo: não resistam ao perverso, mas a qualquer que o ferir na
face direita, volte-lhe também a outra. E ao que quer demandar com você e
tirar-lhe a túnica, deixe-lhe também a capa. Se alguém o obrigar a andar uma
milha, vá com ele duas.’ (Mateus 5:21-41.
Antes da
abordagem
principal, faço uma
pergunta.
Quem
você
acha
que disse 'aos
antigos'
isso
que está
acima?
Segundo o relato bíblico,
especialmente dos
livros
já mencionados,
Jeová deu,
através de Moisés, as
tábuas da
Lei
com os
dez
mandamentos e,
posteriormente, uma verdadeira
legislação
para o
povo. É
aí
que é mencionada várias
vezes a ‘Lei de
talião’.
Pesquisando
sobre o
assunto, descobri
que
ela
já
tinha sido usada
por
outro
povo,
bem
antes da
época
em
que
Jeová deu a
lei ao
povo
que caminhava
pelo
deserto.
Veja as datas a seguir: Moisés viveu
entre o 14° e o 13°
século
antes de
Cristo.
Já Ahmose,
faraó do Egito da
época
em
que José, do
povo
hebreu, estava
em
evidência naquele
país, viveu
entre de 1570 a 1546 a.C.
Por
sua
vez, Hamurabi foi
rei da Babilônia de 1728 a 1686 a.C. –
bem
antes,
portanto.
Este
imperador ficou
conhecido
como
grande
guerreiro,
político e
legislador.
Suas
disposições
sobre a “prática
médica”,
por
exemplo,
assim determinavam
quanto às
punições dos ‘cirurgiões’:
“se o
médico, tratando o
escravo de
um
plebeu
com uma
faca e
por
um
severo
ferimento
lhe
causar a
morte, deverá
pagar
escravo
por
escravo”,
ou,
quando o
paciente
não
era
um
escravo, “se
um
homem destrói os
olhos de
outro,
seu
olho deve
ser destruído”.
Daí a
expressão ‘olho
por
olho,
dente
por
dente,
mão
por
mão,
pé
por
pé’.
Só há uma
diferença
entre a
aplicação dessa ‘lei’
pelos
hebreus e
pelos
súditos de Hamurabi. No
caso destes
últimos,
ela se revela
como
testemunho da
preocupação daquele
imperador
pela
vida e
bem-estar de
seu
povo, garantindo a
todo
homem
igual
direito à
justiça; e, no
caso dos
judeus,
era utilizada
como
prática de
guerra.
Provavelmente foi aos babilônios
que Jesus se referiu
quando mencionou o ‘olho
por
olho,
dente
por
dente’ no
sermão do
monte.
Voltemos à discussão principal.
Você já deve ter percebido pela mídia que os judeus, como bons observadores das
leis do Velho Testamento, continuam aplicando essa abominável lei em relação ao
povo palestino. Por exemplo, alguns palestinos mais exaltados pegam algumas
pedras ou coquetéis molotov e atiram contra os judeus, eles imediatamente
acionam a ‘lei de talião’ e mandam seus tanques de guerra, que mais parecem
dinossauros, contra os infelizes que, é óbvio, têm que fugir ou morrer (e eles
preferem morrer).
É fácil concluir que essa prática nunca poderá levar a uma paz no Oriente Médio.
Pelo contrário, incita a violência e a destruição.
Poderíamos até argumentar que na marcha do povo hebreu, sob o comando de Josué,
fosse necessário ir dizimando e aniquilando todos que tentassem obstruir ou
dificultar a sua caminhada em direção à terra prometida. Mas era – como a
própria Bíblia diz – ‘homem contra homem, espada contra espada’, numa luta
aparentemente equilibrada.
Hoje, há uma ‘pequena’ diferença: são tanques contra homens, metralhadoras
contra pedras, helicópteros contra fundas, num desequilíbrio assustador.
No dizer do escritor José Saramago (vá ao
artigo), parece que Davi virou Golias!
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