prefacio

 

Prefácio

 

O texto que serviu de base a este romance é a Bíblia, a Palavra de Deus, tal como foi revelada aos antigos hebreus. Trata-se de um romance histórico.

A obra recebeu capítulos que não constam dos originais das Escrituras Sagradas. E a razão é simples. Toda a saga da família de Jacó (depois Israel), envolvendo especialmente José, o Vidente, o Sonhador, é referida no texto sacro em poucos capítulos (do 30 ao 50 do Livro de Gênesis), o que corresponde a aproximadamente 34 páginas. Poucas referências são feitas ao dia-a-dia, à própria vida de José, eis que o relato está mais voltado para o episódio de sua venda, transferência para o Egito, acolhida por Potifar, envolvimento com a mulher deste, prisão e, então, ascensão sob o Faraó, até chegar ao cargo de vice-rei.

Por outro lado, é bom lembrar que José foi para o Egito ainda jovem. Ali também morreu, ou seja, foi toda uma vida.

Visivelmente, o narrador bíblico não quis – ou não encontrou espaço – para descrever particularidades da vida do hebreu, como eram os seus dias no Egito, ou do que se ocupava. Teve amigos? Teve amores? Enfrentou inimigos ou contratempos?

Note o leitor que o próprio casamento de José não mereceu na Bíblia mais do que vinte e uma palavras, assim se descrevendo:- E a José chamou o Faraó de Zafenate-Panéia e lhe deu por mulher a Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om”. (Gênesis 41:45). Nenhuma menção à sua vida familiar com a esposa e seus dois filhos (exceção feita à alusão ao nascimento dos mesmos), embora a justificativa talvez esteja em que o fato pouco ou nenhum interesse parecia representar na mente do cronista bíblico.

É sintomático o esquecimento por parte do escritor sacro ao não citar a filha-mulher de Israel – Diná. Naquele tempo, mais de dois mil anos atrás, as mulheres eram consideradas tão-somente como domésticas e serviçais, tanto que nem sequer eram mencionadas, a não ser na qualidade de verdadeiras governantas de seus lares, como se vê em Provérbios 31:10-31. Contudo, tendo sobre si a mão e a proteção de um Deus libertador e justo, estranha-se essa omissão, que pouco ou em nada diferencia o povo hebreu dos bárbaros do seu tempo.

Não se pretendeu em momento algum desmerecer o texto original – por si só repleto de ação e emoções – mas, digamos, fazer com que tais emoções viessem à tona, através de uma narrativa romanceada.

Bem, aqui entra a imaginação deste cronista e escritor, com o intuito de preencher essas lacunas. Não como resultado de profundas pesquisas – salvo as mencionadas no final da obra – mas como fruto do conhecimento do contexto bíblico, de onde inferiu o modo de vida, os costumes, as crenças do povo judeu, fatores que o ajudaram a compor o texto.

Capítulos há, saídos da pura imaginação do autor, sobre prováveis episódios envolvendo José. A sedição e tentativa de assassinato do Faraó é um deles. Esta, aliás, pesquisada e achada exata por outros escritores. As batalhas travadas no norte do País, junto ao Mar Vermelho, para subjugar e expulsar os hicsos, representam outro – este fato, sim, verdadeiro e histórico, embora não contemplado na narrativa bíblica.

Com efeito, as pesquisas levaram o autor às seguintes informações sobre os hicsos: “Invasores semitas que conquistaram o Egito na primeira metade do 17° século a.C. e fundaram a 15ª Dinastia. (o nome tem sido erroneamente interpretado como sendo "reis pastores") Entrando pelo norte do Egito, provavelmente vindos da Palestina e da Síria, eles e seus seguidores, todos nômades, capturaram Menfis e cobraram tributo do resto do país. Estabeleceram uma forte base em Avaris, na margem nordeste do delta do Nilo e deixaram o território acima de Menfis sob o domínio de príncipes tributários da velha nobreza. Esses vassalos iniciaram a revolta nacionalista, que, finalmente, sob Ahmose I (rei de 1570-1546 a.C.), permitiu que fosse fundada a 18ª Dinastia, com  a expulsão dos estrangeiros. Há evidências (“História do Povo Judeu” por Flavius Josephus) de que tenham adotado os costumes do povo egípcio e tomado nomes também egípcios. Os Hicsos introduziram o cavalo no Egito. De fato, sua inicial e fácil conquista do Egito foi provavelmente devida à superioridade militar como, por exemplo, com carruagens puxadas por cavalos”. (‘Funk & Wagnalls New Encyclopedia’, dados confirmados pela Encyclopaedia Of The Orient Copyright 1996-2003, LexicOrient).

Já a ação de José para vencer uma epidemia que ameaçava assolar o Egito e dizimar a população bem poderia ter ocorrido (ou, quem sabe, algo semelhante tenha realmente acontecido).

Ao se referir ao episódio da tentativa de sedução de José por parte da esposa de Potifar, o escritor do livro de Gênesis se limita a escrever:- Aconteceu, depois destas coisas, que a mulher de seu senhor pôs os olhos em José e lhe disse: Deita-te comigo”. A seguir, em poucas palavras, descreve os episódios ocorridos desde a recusa de José até sua prisão em decorrência da falsidade cometida por ela.

Quase não existem descrições dos prováveis encontros entre os dois, com pormenores. Há menções extrabíblicas de que José teria incentivado as tentativas de aproximação por parte da esposa de Potifar. Nós, porém, ficamos com a convicção de que ele, fiel aos seus princípios religiosos, conservou-se imune a tudo – em que pese a provável beleza e juventude dela. O capítulo sexto registra a preocupação do hebreu diante das seduções de Netertini, o que demonstra que não estava sendo fácil para ele manter-se firme.

Este autor evitou ampliar muito a narrativa ao ponto de torná-la enfadonha e maçante, e também para não se perder, muitas vezes, nos meandros da descrição de personagens nem um pouco importantes para o conjunto do romance.

Dados obtidos alhures nos levaram a afirmar que o fermento de pão, assim como é hoje, foi introduzido pelos judeus no Egito, até então desconhecedor desse ingrediente tão indispensável na culinária.

Cabem também algumas palavras sobre os nomes dos personagens.

Para melhor conhecimento recomendamos abrir a Bíblia no livro de Gênesis, capítulos 30 a 50. Ali poderão ser conhecidos os antropônimos verdadeiros, como José, Jacó, Israel, Léia, Diná, e os demais que saíram da imaginação do autor do texto, como Tutcon e Kenate, filhos de Aseph – também fictício, Usitep e Mector - irmã e cunhado do faraó - e outros.

Tudo o mais, desde a descida dos irmãos de José ao Egito para comprar alimentos (sendo que no primeiro encontro com ele não o reconheceram), a segunda descida, a posterior vinda de toda sua família para ali morar sob a sua proteção, a bênção de seu pai sobre os filhos logo antes de morrer, tudo está narrado, como ficou registrado, no Gênesis – primeiro livro da Bíblia.

E foi esse pequeno grupo de judeus morando no Egito que se transformou em um grande povo, com mais de cinco milhões de almas (segundo a narrativa de Êxodo, capítulo 12, versículo 37, confirmada por Números, capítulo 1, versículo 46, a multidão era “coisa de seiscentos mil de pé, somente de varões, sem contar os meninos”. E muito menos as mulheres. O que nos leva ao número total mencionado) que, após a morte de José e do Faraó que os acolhera, subjugado, humilhado e escravizado pelos egípcios, teve a sua libertação pela liderança de Moisés.

Mas esta é outra história.

 

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