
O Rev. Conceição nasceu na cidade de São Paulo, no ano de 1822, e foi criado na mesma província.
Em 1844, foi ordenado padre da igreja romana, e pelo espaço de 18 anos exerceu o cargo de pároco em diversos lugares de sua província natal.
Possuía em alto grau as características tão essenciais para o ministério sagrado, uma profunda e viva simpatia com seus semelhantes; e em toda parte onde andava, foi admirado e amado pelo povo. Ele foi com justiça considerado um dos maiores ornamentos da tribuna sagrada da diocese de São Paulo.
Seu espírito esclarecido e reto não podia, porém, conciliar os dogmas e a prática da Igreja Católica Apostólica Romana com a luz do evangelho, que seus estudos lhe traziam, e depois de uma renhida luta espiritual por alguns anos, decidiu-lhe em 1864 a tudo abandonar por amor da verdade. Em setembro desse ano participou ao bispo de São Paulo, a sua retirada definitiva da igreja romana e a sua renúncia aos cargos que nela tinha exercido.
Em dezembro de 1865 foi ordenado ministro do Evangelho pelo Presbitério do Rio de Janeiro, reunido na cidade de São Paulo. Tornando-se o primeiro pastor presbiteriano nacional.
Poucos meses depois, empreendeu “motu proprio” o que era seu trabalho predileto: andar de casa em casa e de lugar em lugar anunciando aos homens a boa nova de salvação de graça por nosso Senhor Jesus Cristo.
E até o fim de sua vida, umas vezes a cavalo outras vezes a pé, prosseguiu como podia nesta sua nobre missão.
Seus colegas e amigos, muitas vezes instavam com ele para aceitar algum outro emprego ou modo de trabalho mais compatível com as suas forças. Ele, porém, não quis anuir.
Muitas cidades, vilas e arraiais e milhares de pessoas nas províncias de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, foram testemunhas da fidelidade, zelo e fervor com que ele pregava Cristo crucificado como único Redentor.
Semeou a boa semente, da qual haverá no Brasil e no céu uma imensa colheita.
Conceição padecia, havia muitos anos, de uma grave enfermidade, que às vezes o incapacitava por dias e semanas inteiras para qualquer serviço.
Em 1867, na esperança de achar alívio para essa sua enfermidade, fez uma viagem aos Estados Unidos, onde exerceu o seu ministério, pregando o Evangelho a duas colônias portuguesas no estado de Ilinois com grande aceitação.
Voltou de lá em 1868; e logo depois tornou a seu trabalho predileto de andar pregando pelo interior, no qual continuou, apesar de agravar-se a moléstia de que padecia.
Os rogos e ofertas de seus irmãos e amigos não puderam demovê-lo.
A 24 de dezembro de 1873, vindo, segundo parece, em direção à cidade do Rio de Janeiro e chegando a um lugar perto de Cascadura na freguesia de Irajá, o Conceição não pode mais prosseguir.
Tendo recebido notícia vaga de sua doença, um amigo seu saiu logo no dia seguinte à procura dele. Chegando ao lugar indicado, soube que tinha sido transportado, por ordem do subdelegado da Irajá, para a enfermaria do Laboratório Químico de Campinho, onde, depois de receber todos os socorros possíveis veio a falecer às 4 horas da manhã desse dia, 25 de dezembro.
Talvez, a ousadia de Conceição tornara-se mais grave para o clero pela sua própria estatura como intelectual, pregador e pastor de seu rebanho: "Em toda parte onde paroquiou ou pregou, era benquisto do povo e com justiça considerado um dos maiores ornamentos da tribuna sagrada da diocese de São Paulo", diriam mais tarde os Rev°s Jakcford e Carvalhosa. (Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 06/08/1875, p. 149).
O Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição adotou este nome em homenagem ao nosso pastor "nativo", como fonte de estímulo para seus alunos e professores. O objetivo do Seminário é preparar pastores com um quadro de referência Bíblico-Reformado, que exerçam seu ministério pastoral com fidelidade à Palavra, competência e abnegação, buscando em todas as coisas a Glória de Deus.
(Extraído de A Imprensa Evangélica, Ano X. Rio de Janeiro, 03 de janeiro de 1874)