John Steinbeck

 

(1902 - 1968)

 

(com a colaboração de Danilo Corci)

 

Um dos maiores mitos da literatura norte-americana e mundial, John Ernst Steinbeck nasceu em Salinas, no estado da Califórnia, em 27 de fevereiro de 1902. Filho de uma família humilde, de miscigenação entre alemães e irlandeses, e de poucos recursos, Steinbeck absorveu o exemplo paterno, John Steinbeck Sr, que era contador na cidade, e de sua mãe, Olive Hamilton-Steinbeck, ex-professora. Aliás, foi ela que introduziu John na arte de ler e de escrever.

Invariavelmente, durante as férias de verão, ele trabalhava em serviços braçais nos ranchos da redondeza, o que marcou profundamente sua visão de mundo.

Em 1919, Steinbeck se formou no colegial de Salinas. Era tempo de tomar o mundo. Partiu de sua cidade natal em direção à Universidade de Stanford, onde sonhava em se tornar doutor em Inglês. Estudando através de um programa independente, ele logo começou a abandonar o clima sisudo da faculdade.

Abandonou definitivamente a graduação em 1925 e rumou para Nova York. Uma idéia fixa percorria sua mente neste momento: tornar-se um escritor.

Passou dois anos na “Grande Maçã” e o resultado não poderia ter sido mais desastroso. Foi um fracasso completo. Sem conseguir publicar uma linha sequer e praticamente desconhecido, John retornou para a Califórnia.

Poucas de suas obras foram traduzidas para o português.

Em 1929, publicou seu primeiro romance, "Cup of Gold", sobre o famoso pirata galês do século 17, Henry Morgan, mas quase ninguém leu. Os dois livros subseqüentes, "The Pastures of Heaven", uma reunião de contos sobre a vida de fazendeiros da Califórnia, e "To a God Unknow" foram execrados pelo meio literário.

Steinbeck tomou a decisão de voltar aos trabalhos braçais para conseguir continuar escrevendo. Trabalhava duro pela manhã, e a tarde dedicava-se aos seus manuscritos. Esta experiência foi crucial para o seu futuro de escritor.

Em 1930, ele se casa com sua primeira esposa, Carol Henning. Mudou-se para Pacific Grove, na Califórnia, onde coletou vários dados para seu próximo livro. Escrevendo sobre a dignidade silenciosa dos pobres e oprimidos, John se tornou um mestre na dissecação de personagens presos pelas armadilhas do mundo injusto. Em 1935, ele publicou "Tortilla Flat". Finalmente, o sucesso batia em sua porta. Ganhou o prêmio de melhor autor da Califórnia com o livro de fábula simpática sobre descendentes mexicanos em conflito perto de Monterey. Seus romances seguintes foram sucessos absolutos. Em especial "Vinhas da Ira", de 1939, que lhe deu o Pulitzer.

Veio a Segunda Guerra Mundial e Steinbeck foi designado correspondente do New York Herald Tribune. Seus relatos foram compilados no livro "Once There Was a War". Bem-sucedido e admirado no mundo literário ao redor do mundo, ele se recusou a se tornar uma mega-estrela, preferindo a sua privacidade.

Em 1962 recebeu o prêmio Nobel de Literatura, por seus escritos imaginativos e ao mesmo tempo realísticos com uma percepção social aguçada. Ele havia deixado sua marca no mundo. Desde a década de 30 ele já era uma figura importantíssima na literatura. A década de 60 apenas confirmou sua genialidade.

Em 20 de dezembro de 1968 o mestre norte-americano morreu em Nova York. Casado com Elaine Scott, sua terceira esposa, e tendo um filho, Thomas, sua morte causou comoção. Foi cremado e suas cinzas repousam no "Garden of Memories Cemetery", em Salinas, sua terra natal.

Seus romances podem ser classificados como obras sociais, que lidam com os problemas econômicos do trabalho rural, mas também apresentam uma paixão pela terra, que entra em choque com sua visão mais politizada. Cheio de humor agressivo e de verve afiada, Steinbeck foi um agudo observador das realidades criadas pelo homem, o que influenciava diretamente toda a condição humana. Em resumo, o romance social nunca mais foi o mesmo após as linhas de Steinbeck terem sido redigidas.

 

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