Indo para o trabalho

 

 

 

 

 

"São Paulo, 452 anos"

(Gregório Gruber)

 

Quando vim para São Paulo, em 1974, procuramos um lugar para morar que fosse mais ou menos próximo da área de trabalho de minha esposa, que era promotora de vendas da Rhodia. Assim, fomos morar na Vila Ema, bem distante do Centro, onde eu iria assumir no Banco do Brasil.

Imagine você: longe do Centro e com ônibus super-cheios. Para eu chegar às sete horas da manhã ao Centro, onde trabalhava, tinha que estar dentro do ônibus às seis horas. Caso contrário chegaria atrasado. Se tudo corresse bem na viagem. Quando chovia, por exemplo, e havia ruas alagadas, tudo mudava - lembro-me de uma vez, nas proximidades da Quarta-Parada, que tive que sair do ônibus, tomar outro e, ainda assim, chegar atrasado.

Isso foi por um ano. Compramos então um apartamento na zona sul, próximo à linha do Metrô (recém inaugurado).

Aí, eu ia para o trabalho de Metrô. Era uma facilidade.

Ah, mas não permaneceu sempre assim! No decorrer dos anos a coisa mudou: quando fui assumir um cargo no Cesec, na marginal do Pinheiros, lados de Santo Amaro, a coisa se complicou novamente. Era longe, o trajeto tinha de ser feito necessariamente de carro.

Resolvemos – eu e mais três colegas – a questão, criando um rodízio de carros e de motoristas entre nós, uma semana de cada um.

Embora o percurso fosse grande, um pouco demorado e com grande trânsito, o rodízio se constituiu na solidificação de uma amizade entre nós, tão grande que atravessou o tempo. Hoje somos todos aposentados, mas a ligação continua.

Algum tempo depois fui novamente trabalhar no Centro da cidade. Estava assumindo um novo cargo no Banco: chefe da equipe da compensação integrada – você deve imaginar, troca de malotes com documentos para compensação entre São Paulo e cerca de vinte cidades do interior. Ali fazíamos também a troca de malotes com o Rio de Janeiro.

E era uma correria desenfreada para terminar o serviço na hora. As máquinas de calcular trabalhavam desenfreadas, com os resultados dos somatórios nem sempre corretos, o que obrigava um ou outro funcionário a refazer a sua soma quilométrica. No mais das vezes, quando terminava a parte da compensação integrada, a equipe parava, respirava, ouvia músicas no rádio.

Eu, de minha parte, naqueles bons tempos de 1974, 75, 76..., saía em plena madrugada pelas imediações da Líbero Badaró, para arejar. Aproveitava para comer uma fatia de abacaxi ou duas tangerinas – ali mesmo, em plena rua, sem medo de ser feliz. Por aquela época nem se pensava em perigo ou assalto.

O objetivo do Banco era bom: centralizar cada vez mais o processamento. Hoje o sistema adquiriu novas tecnologias. Não só a compensação como inúmeros outros serviços são feitos em todo o Brasil, por várias vias, notadamente a Internet, sem deslocamento de aviões, automóveis, taxis, etc., como acontecia no meu tempo. E praticamente tudo "em tempo real".

Bem, mas voltemos às minhas idas e vindas de casa para o trabalho e vice-versa.

O meu local de trabalho por essa época era, como já disse, no Centro velho – exatamente na Rua Líbero Badaró, a duzentos metros do Metrô.

E o horário? Entrava à meia-noite, saindo de casa às 23:30 horas e embarcava de volta para casa alguns minutos depois das 7:00 horas (da manhã!). Ou seja, fazia o trajeto sempre em composições do Metro quase vazias.

Bons tempos aqueles!...

 

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