A imprensa

 

 

 

"A invenção da imprensa é o maior acontecimento da história. É a revolução mãe... é o pensamento humano que larga uma forma e veste outra... é a completa e definitiva mudança de pele dessa serpente diabólica que, desde Adão, representa a inteligência".

 

Victor Hugo, Nossa Senhora de Paris, 1831

 

 

 

As primeiras impressões tabelares (ou tabulares) localizadas são originárias da China, que as utilizaram a partir do século VIII. Foram feitas utilizando uma técnica semelhante à xilogravura, que consistia em prensar folhas contra tábuas gravadas e tintadas. O mesmo método foi adotado na Europa, inicialmente para reprodução de gravuras de imagens de santos e baralhos e, posteriormente, para páginas inteiras de texto e livros.

Os primeiros livros tabelares surgiram na Holanda, na metade do século XV, eram manuais dirigidos ao baixo clero para pregação popular e utilização em escolas, compostos por ilustrações e textos curtos escritos em latim.

Poderíamos dizer que a xilogravura foi o passo necessário até a impressão.

As técnicas de impressão desenvolvidas na China só passaram a ser utilizadas na Europa, por volta do ano de 1430, quando Coster, na Holanda, iniciou a impressão de livros com a utilização de caracteres móveis de madeira, razão pela qual é considerado por muitos como o pai da imprensa.

O crédito da invenção da imprensa, no entanto, foi dado a Gutenberg, alemão, que substituiu as pranchas xilográficas por caracteres móveis de madeira, depois pelo cobre e, finalmente, pelo aço. Criou um processo que consistia em cunhar as letras em matrizes de cobre, com um punção de aço com letras gravadas em relevo, gerando uma espécie de molde de letras, que eram finalmente montadas em uma base de chumbo, tintadas e prensadas. Assim, Gutenberg produziu a primeira Bíblia, impressa em latim, com uma tiragem de cerca de 300 exemplares.

O renascimento (ou renascença) do século XII abriu as portas para um sem número de idéias, tanto no campo da literatura, filosofia, matemática, antropologia, como no das invenções.

Por sua vez, as mudanças econômicas, culturais e tecnológicas ocorridas na Europa, a partir do século XV, tais como desenvolvimento da metalurgia, o fabrico do papel e, principalmente, a explosão intelectual ocorrida com a Renascença, possibilitaram o surgimento das primeiras imprensas.

A produção dessas imprensas foi inicialmente restrita a reprodução de manuscritos religiosos. Em 1476, William Caxton deu o primeiro passo na utilização da impressão como veículo para a promoção e divulgação da literatura, estabelecendo, na Inglaterra, a primeira tipografia. Caxton editou, imprimiu e distribuiu mais de 90 livros escritos em língua inglesa. Gradualmente as inovações tecnológicas foram sendo introduzidas aos métodos de impressão: fabricação mecânica de papel (1798), prensas rotativas (1803), sistemas fotográficos de gravação de matrizes (1859) e métodos mecânicos de composição de tipos móveis, monotipo (1894) e linotipo(1886).

O desenvolvimento da composição foto-mecânica marca o fim da época da composição a quente, com ligas de metal fundidas e o início da composição a frio, seguida pelas tecnologias fotográfica e eletrônica.

 

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