Imagens do progresso

 

(2009)

 

Em conversa hoje com meu filho mais velho, ele lembrou-me de um fato muito interessante ocorrido muitos anos atrás.

Antes, porém, preciso situar a origem desse diálogo no tempo e no espaço.

Morávamos no Interior, em Marília (a eterna) e atravessávamos o ano de 1964 ou 1965. A família se constituía no casal e dois filhos.

A televisão, que acabava de ser introduzida no Brasil alguns anos antes, era esperada como algo que transformaria não só a diversão, a transmissão de conhecimentos e informações, mas os costumes de adultos e, especialmente de crianças.

Por esse tempo, ela era em preto-e-branco. Recebíamos notícias de que na Capital do Estado, onde a coisa toda começou no Brasil com Assis Chateaubriand, o grande Capitão das comunicações, os programas sofriam as limitações impostas por equipamentos simples e deficientes. Para se ter idéia, as cenas de novelas eram feitas “ao vivo”, pois ainda não existiam equipamentos de gravação. Além disso, ainda não havia torres retransmissoras dos sinais dos canais para as cidades do Interior – era só chuvisco, e a gente ficava que nem bobos olhando aquilo!...

Certo dia, diante dessa impotência em frente ao aparelho de TV que adquirimos na "Casa Fortaleza", situação que causava a maior tristeza, eu disse para o meu filho (são palavras dele, foi ele que lembrou):

- Olha filho, - disse-lhe eu - não se preocupe e nem fique triste. Em breve todos esses problemas de sinais estarão totalmente resolvidos. Assim como os próprios preços dos aparelhos, com a sua popularização, tenderão a cair, permitindo que mais pessoas possam adquirir. E o que é mais importante: hoje estamos tentando ver imagens em preto-e-branco, mas garanto que breve teremos imagens muitíssimo nítidas e em cores. Você vai ver.

Realmente, independente do que eu disse, a televisão transformou-se no meio de comunicação por excelência e um dos mais importantes órgãos de transmissão de conhecimentos que temos; e graças não apenas às torres de repetição de sinais, mas especialmente aos satélites de retransmissão, hoje temos instantaneamente informações e imagens de todo o mundo.

E creio que a seqüência na cadeia de invenções que levaram à TV é: telégrafo – rádio – televisão. Sim, porque uma das invenções foi levando às outras, até chegar no que temos hoje.

Não, não se trata de nenhuma profecia. É que a experiência adquirida através de muitos anos me permitiu fazer esse comentário.

 

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