
Franco y Rodriguez
(tradução Herci)
Se cada ibero-americano tem uma pátria - a pátria do berço ou a do coração, - todos os ibero-americanos possuímos outra pátria grande: a América, a América espanhola e lusitana. As nações em que esta se divide politicamente devem ser consideradas como províncias ou comarcas suas.
Uma mãe comum nos tem feito irmãos. E toca-nos ser também irmãos no trabalho, na cultura, na arte; irmãos no afã cotidiano de contribuir e semear aqui uma civilização rica e culta, poderosa e sonhadora, que não se submete mais à bota do tirano nem ao fuzil fratricida, porque a luz e a vida vêm da inteligência e do trabalho, nunca da força bruta.
Esta América espanhola e lusitana há bastante tempo desperta o interesse do mundo, que ainda insiste em caluniá-la. Atrai a atenção universal por seus trigais e bosques virgens, seus gados, seus rios imensos. É ainda admirada pela pujança material e seu poderio interior.
Dia virá em que também esta terra será admirada pelos seus pensadores, seus sábios, seus educadores e seus artistas.
A natureza não tem sido mesquinha no continente ibero-americano: deu-lhe terras férteis e vigorosos intelectos. Possui personalidade própria, da qual não pode abdicar ante nenhum deslumbrante modelo estranho. Há de cumprir a plenitude de seu destino, apoiando-se na civilização herdada, mas com os olhos no futuro e plena de ampla comunhão irmã.
(“Manual de Espanhol” – Idel Becker)