Homenagem

 

a Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz de 2003

 

 

 Luta por direitos humanos rende Nobel à iraniana Shirin Ebadi (2003) 

Alister Doyle

 

OSLO (Reuters) - A advogada iraniana Shirin Ebadi tornou-se a primeira mulher muçulmana a ganhar o Prêmio Nobel da Paz na sexta-feira (2003), numa decisão que tem o objetivo de reforçar a luta pela democracia no mundo islâmico.

O Comitê Norueguês do Nobel elogiou Ebadi - que foi a primeira juíza do Irã antes de a Revolução Islâmica de 1979 forçá-la a deixar o cargo - por seu trabalho voltado aos direitos das mulheres e das crianças.

Ebadi, 56, foi a vencedora entre 165 candidatos, que incluíam entre os favoritos o papa João Paulo 2° e o ex-presidente tcheco Vaclav Havel. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também era um dos indicados.

O comitê de cinco membros - sendo três mulheres - que tomou a decisão disse que Ebadi, presa muitas vezes durante sua carreira e que já foi considerada uma ameaça ao sistema islâmico, é uma pessoa corajosa que nunca teve medo das ameaças que puseram em risco sua segurança.

“Esperamos que o prêmio seja uma inspiração para todos aqueles que lutam pelos direitos humanos e pela democracia no país dela, no mundo muçulmano e em todos os países em que essa luta precise de inspiração e apoio” - disse o comitê.

- Estou surpresa, não imaginei que fosse ganhar - disse ela por telefone, de Paris à TV pública da Noruega NRK. - É muito bom para mim, muito bom para os Direitos Humanos no Irã, bom para a democracia e especialmente para os direitos das crianças no Irã.

Ebadi, que trabalha como professora na Universidade de Teerã, deu uma entrevista coletiva em Paris com a cabeça descoberta, em desacordo com as exigências das leis islâmicas. Ela disse que iria a Oslo para receber o prêmio de 1,3 milhão de dólares na cerimônia tradicional de 10 de dezembro.

"Esse prêmio me dá energia para continuar a lutar" - afirmou.

 

 

 Ebadi foi a 11ª mulher a ganhar o Prêmio Nobel da Paz desde sua criação, em 1901. Foi a primeira mulher muçulmana premiada e o terceiro muçulmano - os outros dois foram o presidente palestino Yasser Arafat, em 1994, e o presidente egípcio Anwar Sadat, em 1978.

 

 

A Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz de 2003 

É uma honra poder congratular-me com uma mulher notável, Shirin Ebadi, por ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.

Shirin Ebadi, devo lhe dizer que sua corajosa luta pelos Direitos Humanos no Irã é uma luta por todos nós, uma inspiração para o mundo.

Sua voz será associada aos ideais de apoio e proteção aos direitos de mulheres e crianças em seu país e em todos os outros.

Com grande coragem você lutou por uma interpretação em harmonia com a democracia, a igualdade perante a lei, a liberdade religiosa e a liberdade de expressão.

Durante esse processo você se tornou uma heroína das mulheres e dos homens em todo o mundo.

Você sabe que se pudermos mudar o destino das mulheres e das crianças poderemos mudar o destino dos países em que elas vivem e poderemos mudar o curso da História.

Quando todos começarem a entender a importância de se respeitarem os Direitos Humanos básicos das pessoas mais vulneráveis em nossas sociedades, estaremos no caminho do progresso e estaremos mais próximos da paz duradoura.

Deixe-me agradecer pela sua determinação, que nos inspira a continuar a busca da justiça para todos à medida que buscamos um mundo pacífico.

As pessoas de todo o mundo se unem a mim ao me congratular com você e lhe desejar todo sucesso na continuação de seu importante trabalho.

Deus a abençoe.

 

Hillary Clinton

 

 

 

 

Boa noite.

Já foi dito que o que fazemos pelos outros é o aluguel que pagamos por nosso espaço na Terra.

Segundo esse padrão, a laureada do Prêmio Nobel Shirin Ebadi merece toda uma cidade.

Ela inspirou o mundo lutando por mulheres, crianças e por pessoas vulneráveis cujos direitos estavam ameaçados.

Ela nunca deixou que o risco ao seu bem-estar a impedisse de lutar pelos outros. Ela acredita que a beleza da vida está em primeiro lugar em uma situação difícil. Ela sabe que a noite mais escura não tem o poder de impedir a alvorada.

Acima de tudo, ela é um porta-voz da tolerância, da compaixão, e de todos que sabem que não há contradição entre fé religiosa e dedicação aos Direitos Humanos.

Como muçulmana, vejo o seu trabalho como um reflexo perfeito dos princípios sagrados da nossa fé.

É uma honra homenageá-la no momento em que recebe esse merecido prêmio.

A todos que estão me ouvindo, espero que sintam a mensagem de Shirin Ebadi.

Ao celebrar com alegria a nossa humanidade, vamos somar as nossas vozes à da corajosa Shirin Ebadi.

Obrigada. 

(Rainha Rania da Jordânia)

 

 

 

 

 

“Para ela” 

 

Para ela, que entendeu sua tarefa e o seu propósito.

Para ela, que olhou para o caminho à sua frente e viu que era um caminho difícil.

Para ela, que não ignorou essas dificuldades, mas as tornou manifestas e visíveis.

Para ela, que faz solitários não se sentirem sós, que satisfaz quem tem fome e sede de justiça, que faz com que o opressor se sinta como o oprimido.

Para ela, que sempre mantém a porta aberta, os ouvidos à escuta, as mãos trabalhando, os pés caminhando.

Para ela que encarna os versos de outro poeta persa, Hafez, quando ele diz: - “Nem sete mil anos de alegria valem sete dias de tristeza”.

Para ela, que está aqui esta noite, que ela e todos nós sejamos um.

Que o seu exemplo se multiplique, que ela tenha dias difíceis pela frente, para fazer o que for necessário.

Assim, a próxima geração não terá de lutar pelo que já foi alcançado.

Que ela ande devagar, pois o seu passo é o passo da mudança. E as mudanças, as mudanças de verdade, sempre são demoradas.

(Paulo Coelho)

 

 

 

 

 

“Ao homenagear Shirin Ebadi homenageamos a própria paz.” 

Fomos lembrados de que, enquanto houver conflitos e as pessoas sofrerem, prêmios como o Prêmio Nobel da Paz serão necessários para nos lembrar de que os homens são basicamente bons e de que a grande maioria entre nós só quer a paz para nós mesmos e para nossos filhos.

Só nos resta dizer obrigados e boa noite.

Obrigados a Shirin Ebadi e ao comitê do Nobel.

 

(Os apresentadores)

 

 

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