Helen Keller

 

Cega, surda e muda - e expandiu sua inteligência

 

Helen Keller (1880-1968), uma mulher extraordinária, cega, surda e muda desde bebê, nos chama a atenção para a apreciação de nossos sentidos.

A chegada de Anne Sulivan Macy à casa de Helen ocorreu em um 7 de março, para um trabalho que a outros pareceria impossível mas que, para Anne, era um desafio a ser enfrentado.

Apenas de posse do sentido do tato e uma perseverança inigualável, sob a orientação de Anne, Keller pôde aprender a ler e escrever pelo método Braille, chegando mesmo a falar, por imitação das vibrações da garganta de sua preceptora, as quais captava com as pontas dos dedos. O esforço de sua mente em procurar se comunicar com o exterior teve como resultado o afloramento de uma inteligência excepcional, considerada a maior vitória individual da história da educação. Ela foi uma educadora, escritora e advogada de cegos. Tinha muita ambição e grande poder de realização. Ao lado de Sullivan, percorreu vários países do mundo promovendo campanhas para melhorar a situação dos deficientes visuais e auditivos. É considerada uma das grandes heroínas do mundo. A Srta. Helen alterou nossa percepção do deficiente.

Em um de seus escritos, ela diz:

"Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias no princípio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som".

 

O legado de Helen Keller

 

Helen Adams Keller nasceu em 27 de junho de 1880, em Tuscumbia, numa família tradicional do Alabama (EUA). Filha do capitão Arthur Keller, editor do jornal The Tuscumbia Alabamian, aos dois anos de vida perdeu a visão e a audição devido a uma doença diagnosticada como febre cerebral, provavelmente escarlatina. Com cerca de 7 anos passou a ter aulas com Anne Sullivan (21 anos), que havia estudado na Escola Perkins para Cegos (Perkins School for the Blind).

Foi Anne quem lhe ensinou, antes de sua morte em 1936, os alfabetos Braile e manual. Com 10 anos, Helen aprendeu a falar com Sara Fuller, diretora da Escola de Surdos Harace Mann. Em 1898 Helen Keller entrou na Escola Cambridge para Moças e dois anos depois para a Universidade Radcliffe, onde recebeu o diploma de Bacharel em Filosofia. Nessa época dominava os idiomas francês, latim e alemão, tendo recebido várias títulos e diplomas honorários das universidades Temple e de Harvard e das universidades da Escócia (Glasgow), Alemanha (Berlim), Índia (Nova Délhi) e Johannesburgo (África do Sul).

Antes de se formar, em 1902, escreveu sua autobiografia, A História de Minha Vida, e também vários artigos para o Ladies Home Journal. A partir dai não parou mais de escrever. Seus livros Otimismo - um ensaio, Canção do Muro de Pedra, Lutando contra as Trevas, Vamos ter fé, Dedicação de uma Vida, A Porta Aberta, entre outros, foram traduzidos para várias línguas em vários países.

Em 1915, por ocasião do surgimento do Fundo Permanente de Ajuda aos Cegos de Guerra, depois denominado Imprensa Braile Americana, Helen passou a participar ativamente em prol da causa dos cegos. Entre 1946 e 1957, visitou 35 países em cinco continentes. Em 1953 ela veio ao Brasil a convite oficial do governo brasileiro e da Fundação para o Livro do Cego no Brasil. Fez diversas visitas e palestras no Rio de Janeiro e em São Paulo, o que deu grande estimulo à reabilitação de cegos no País. Durante uma palestra no Hospital das Clínicas de São Paulo, que reuniu mais de 500 pessoas, indagada sobre o que mais gostaria de ver se Deus lhe desse a visão por cinco minutos respondeu: - "As flores, o pôr-do-sol, o rosto de uma criança".

Após 1961 Helen se afastou da vida pública e passou a viver em Arcan Ridge. Em 1964 recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honra civil dos Estados Unidos e, em 1965, foi uma das 20 eleitas para o Hall da Fama Feminina, na Feira Mundial de Nova York. Ela e Eleanor Roosevelt receberam a maioria dos votos entre as 100 mulheres indicadas. Faleceu em 1º de junho de 1968, semanas antes de completar 88 anos. Teve as cinzas colocadas ao lado de Anne Sullivan Macy e Polly Thomson na Capela de São José, na Catedral de Washington.

- "É maravilhoso ter ouvidos e olhos no alma, isso completa a glória de viver".

- "Quando uma porta de felicidade se fecha, uma outra se abre; mas, muitas vezes, nós olhamos tão demoradamente para a porta fechada que não podemos ver aquela que se abriu diante de nós."

- "Não há barreiras que o ser humano não possa transpor".

 

("Revista Kalunga", Ano XXXI - nº 158)

 

voltar

home