
‘Deixai-os. São cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco’. (Mateus 15:14)
No episódio acima e logo no primeiro versículo do capítulo quinze de Mateus, Jesus é abordado por seus discípulos sobre a conduta do Mestre que, segundo os escribas e fariseus, não observava ‘a tradição dos anciãos’, visto que não lavava as mãos antes de comer. Note que a lavagem das mãos referida no texto mencionado nada tinha a ver com higiene ou limpeza – era uma lavagem cerimonial, como ocorria também com a lavagem dos pés.
Mas o que era, exatamente, a ‘tradição dos anciãos?
Bem, conforme pude verificar, era a interpretação oral da Lei de Moisés, com muita coisa adicionada, chegando a ter, entre os fariseus, autoridade quase igual à da própria Lei.
Voltemos, porém, ao tema principal. Os guias cegos.
Lembro-me de ter visto já algumas vezes, na traseira de caminhões e até de automóveis, a seguinte frase, em tom de blague:- “Não me siga. Eu também estou perdido”. Nas entradas de cidades grandes, como São Paulo, é muito comum motoristas, geralmente do interior, seguirem algum veiculo com esperança de chegarem ao seu destino. Para sua tristeza, esse expediente quase nunca dá certo.
Ainda bem que, perguntando aqui, perguntando ali, acaba-se chegando ao lugar desejado.
Do ponto de vista espiritual ocorrem os mesmos fatos. Ainda bem que, perguntando aqui e ali, pode-se achar o caminho verdadeiro.
Há muita gente se apresentando às pessoas – geralmente carentes, doentes e cheias de problemas – com mil e uma maneiras de resolvê-los todos. São rezas, santinhos, óleos abençoados, rosas perfumadas. Usam ainda maneiras diferentes de apresentarem os seus ‘guias’ ao povo, levando-os a confusões.
Muitos, por terem o dom da palavra e serem realmente convincentes, levam os fiéis a crer em tudo aquilo que falam.
Jesus Cristo afirma que somente Ele é ‘o caminho’. O caminho, pois, não só para Deus, como para a salvação, pode ser percorrido de maneira direta e suave. Não há necessidade de rezas ou objetos especiais para ser salvo. Nem atitudes especiais, a não ser submissão e adoração ao nosso Deus.
Ninguém precisa submeter-se a regras particulares de algumas denominações, que se julgam proprietários do nome ou do poder de Jesus. Ele é maior que as seitas, as igrejas, as denominações, e não se sujeita a nenhuma delas.
Quando alguém – algum pastor – disser:- “Deixa, que eu peço a Deus por você”, você não precisa acreditar. Deus não tem ‘embaixadores’, ‘porta-vozes’, ‘representantes’, como querem alguns. E também não tem ‘amigos íntimos’, como têm os políticos. Fale diretamente com Ele em oração, como recomenda a Bíblia.