
O poema ‘Vou-me Embora Para Pasárgada’ (vá lá), do nosso festejado Manuel Bandeira, decanta um mundo onde ser amigo, íntimo do rei, tem as suas vantagens, aliás, como em todo lugar. Nem que seja através de uma ficção – ou um desejo, como é o caso do poema acima.
Privar da intimidade dos poderosos sempre foi algo que mexeu com o imaginário das pessoas. Ser filho do rei então é sonho quase impossível para a maioria das pessoas. Só não é de todo impossível porque a Palavra de Deus afirma que nós temos tudo a ver com o Reino dos céus, estabelecido por Jesus, onde Ele está entronizado e reina eternamente. Em Apocalipse 11:15 está registrado: O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos.
O texto de 21:7 do mesmo livro afirma: Aquele que vencer herdará estas coisas. E eu serei seu Deus, e ele será meu filho.
Já o registro de 7:13-17 relata uma visão de João sobre o futuro dos salvos: E um dos anciãos me perguntou: ‘Estes que trajam as compridas vestes brancas, quem são eles e donde vieram?’ Respondi-lhe: ‘Meu Senhor, tu sabes’. Disse-me ele: ‘Estes são os que vêm da grande tribulação, e levaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu santuário’.
Este é o mundo que desfrutarão aqueles que têm Jesus como seu único Salvador e Senhor. É um direito muitas vezes prometido. Esta promessa se cumprirá no reino espiritual.
Quero, contudo, fazer uma observação: muitos evangélicos, numa interpretação fora do contexto e bastante distorcida da passagem registrada em I Pedro 2:9, batem no peito dizendo que, como ‘filhos de reis e sacerdotes’, têm a sua vida facilitada, até em coisas prosaicas como, por exemplo, quando procuram uma vaga para estacionar o carro. O texto referido diz assim: ‘Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz’.
Essas pessoas só se lembram da primeira parte do versículo e se esquecem de ter atitude de submissão a Deus, como sugere a segunda, além de, é evidente, exercer o seu sacerdócio em prol da humanidade. O que dizer dos sofrimentos, das provações, das doenças enfrentadas pelos fiéis (‘No mundo tereis aflições... – João 3-11 – palavras de Jesus), já que não ‘combinam’ com a primeira parte do versículo?
A controvérsia reside no seguinte: querem dar interpretação física e temporal ao que é espiritual. ‘... as coisas do Espírito de Deus ... se discernem espiritualmente’ (I Coríntios 2:14).
Uma coisa é certa: haveremos de ter tribulações no mundo em que vivemos. Não fosse assim, muitos dentre o povo cristão, que têm enfermidades, problemas financeiros ou perderam entes queridos, não passariam por esses dissabores e tristezas. Por isso é que Jesus advertiu que tivéssemos bom ânimo.
Não sei o que você acha, mas para mim cristãos que pensam assim estão carregando uma certa dose de preconceito e discriminação. No caso mencionado inicialmente, da ‘vaga para o carro’, como se aplicaria a hipótese à situação do irmão pobrezinho que nem carro tem? Responda: é pior não ter ‘a vaga’ ou não ter o carro?
Lembre-se de que todas as pessoas estão sujeitas às leis de Deus, independente de sua condição social, sua cor ou sua raça, e os sofrimentos, as vicissitudes fazem parte dessas leis, assim como as bênçãos.
Só nos resta uma conduta, que é seguir a admoestação da Palavra: Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará (Tiago 4:10).