A família vista como clã

 

Vejo a família como um clã. Ali todos se conhecem bem, interagem com facilidade e disposição naturais. Os problemas de um dos membros são problemas de todos; as conquistas de um se estendem a todos. Todos se alegram juntos; todos sofrem e choram juntos. O espírito de solidariedade deve estar sempre presente.

Não é por acaso que a família é a instituição social mais antiga do mundo. Chama-se instituição social precisamente porque é no seio da família que o processo se inicia: interação entre pais e filhos, entre irmãos, avós…

Com a entrada no pré–escolar somos inseridos numa sociedade maior onde vamos interagir com pessoas estranhas ao nosso meio familiar, passo que é necessário e urgente para que a socialização seja saudável e sustentada.

Segundo o dicionário de Houaiss o clã é “agrupamento familiar comum; a casta; e, em sentido figurado, partido, facção, lado”.

Os segredos do clã são muito bem guardados; as tomadas de decisão também.

As famílias japonesas constituem-se até hoje sob a forma de clãs, em que há hierarquias, sendo que os mais velhos são respeitados até o fim. No Japão é comum o patriarca de uma família ser consultado - através de muitas mesuras - sobre assunto importante da corporação da família e ter suas idéias acatadas de maneira decisiva.

A intimidade da família deve ser preservada sempre que possível, evitando-se ao máximo cenas públicas e discussões em altas vozes.

O mais importante: a família deve ser lugar de refrigério e de paz e refúgio constante para seus membros. Eu, particularmente, sempre que saio para algum compromisso ou atividade, não vejo a hora de voltar para casa, para o seio da família.

Hoje, mais que em outros tempos, as idéias tendem a ser preservadas através de mecanismos próprios. Até um partido político tem as suas regras e os seus segredos.

Não pretendo, com isso, nem achar que a minha família é superior e nem afastar pessoas do seu convívio íntimo. Apenas preservar os costumes, as idéias, os sonhos e as realizações assim conseguidos. Porque o inverso disso será sempre danoso aos interesses da família.

Além disso, a família tem que estar preparada para distribuir aos de fora não só segurança, como carinho, amor e respostas. Quantos estão tão desagregados que têm necessidade de aconchego, calor e, especialmente de um bom conselho.

Mas ai daquela família onde a discórdia se instalou! Problemas conjugais ou com filhos ou filhas, como uma gravidez antecipada ou indesejada. Mesmo esta situação tem que ser administrada com inteligência e com mansidão e amor.

Mas uma coisa é fundamental: que os membros da família tenham consciência disso e se unam pela defesa de suas idéias e ideais. Se cada um deles não tiver definido de que lado está, a coisa se complica, pois daí sairão idéias antagônicas e desencontradas...

 

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