
Muitos eram os estudiosos que procuravam o Besht, sequiosos por ouvir as sábias lições desse iluminado.
Certa vez um desses moços interpelou o sábio nos seguintes termos:
- Por que aponta a Bíblia os erros dos homens de bem? Não seria mais prudente, para a formação moral da mocidade, ensinar que os homens de bem são sempre irrepreensíveis?
Respondeu o fundador do hassidismo, abanando a cabeça negativamente:
- Se a Bíblia omitisse os raros pecados dos heróis, duvidaríamos da bondade deles.
E, para esclarecer aquele ponto, que parecia difícil e obscuro, narrou o Mestre a seguinte e interessante fábula:
- Um leão ensinou aos filhotes que não deveriam temer nenhum ser vivo, pois os leões, na terra, eram as criaturas mais possantes. Certo dia, saindo a passear, os leõezinhos deram com as ruínas de um castelo abandonado e viram num pedaço de parede, semidestruída pelo tempo, um quadro no qual aparecia a figura hercúlea de Sansão rompendo em dois o corpo ensangüentado de um leão. Cheios de susto, correram ao pai, exclamando: "Vimos um ser mais forte do que nós, e temos medo dele". O leão velho interrogou-os e informado da pintura que os filhos tinham encontrado nas ruínas, tranqüilizou-os. - "Esse quadro deve convencer-nos de que a nossa raça é a mais forte da criação, pois quando aparece mesmo entre os homens um ser mais possante do que um leão, esse lutador destemido é logo exaltado pelos artistas e apontado como um herói".
- As exceções - concluiu o Besht - confirmam a regra: Os erros dos justos apontados pelo Livro são exceções. Aceitemos, pois, a verdade do conceito: os homens justos não erram.
(Cf. "Antologia Hassídica", de Louis J. Newman e Samuel Spitz. Apud Lewis Browne, ob. cit., pág. 477).
("Lendas do Povo de Deus")