A epopéia do imigrante – VIII

 

 

  Período pós-guerra - A integração consolidada 

 

Em 1948 Yukishige Tamura é eleito vereador em São Paulo, tornando-se, assim, o primeiro nikkey a ocupar um cargo eletivo em uma capital.

Já em clima de paz, é restabelecido em 1949 o comércio entre Brasil e Japão por meio de um acordo bilateral. Um ano depois, o Governo Federal anuncia a liberação dos bens confiscados aos imigrantes dos países do Eixo, e em 1951 aprova projeto para introdução no País de 5 mil famílias imigrantes.

Encorajadas, as empresas japonesas começam a planejar investimentos no Brasil. As primeiras delas chegam em 1953. Cinqüenta anos após a chegada do navio “Kasato Maru” a Santos, o número de japoneses e descendentes no País somavam 404.630 pessoas. O príncipe Mikasa, irmão do imperador Hiroito, visita o País para participar das festividades do cinqüentenário da imigração. Nas eleições majoritárias de 1962 já se pode observar a plena integração social e política dos brasileiros descendentes de japoneses, quando seis nisseis são escolhidos por meio das urnas: três para a Câmara Federal (Miyamoto, do Paraná; Hirata e Tamura de São Paulo) e três para a Assembléia Legislativa de São Paulo (Yoshifumi Uchiyama, Antonio Morimoto e Diogo Nomura). Em 1967, o príncipe herdeiro Akihito e a princesa Michiko visitam o Brasil pela primeira vez. Na recepção ao casal imperial, a comunidade nipo-brasileira lota o estádio do Pacaembu. Em 1973, chega a Santos o “Nippon Maru”, o último navio a transportar imigrantes japoneses. Em 1978 a imigração japonesa comemora 70 anos. O príncipe herdeiro Akihito e a princesa Michiko participam das festividades e novamente lotam o Pacaembu. No prédio da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, é inaugurado o Museu da Imigração Japonesa no Brasil.

       Os anos 60 marcam, em muitos aspectos, a plena integração dos nikkeis à sociedade brasileira. Além da participação ativa na vida política por meio de seus representantes nas casas legislativas, eles começam a despontar nas áreas culturais, notadamente na grande imprensa - onde o pioneiro foi Hideo Onaga, na Folha de S. Paulo - e nas artes plásticas, com destaque para Manabu Mabe. Também nesse período, durante o governo Costa e Silva, é nomeado o primeiro ministro descendente de japoneses, o empresário Fábio Yassuda, que assumiu a Pasta da Agricultura sem, no entanto, cumprir integralmente sua gestão. No futuro, dois outros seriam chamados a assumir cargos equivalentes: Shigeaki Ueki, como ministro de Minas e Energia do governo Geisel, e Seigo Tsuzuki, como ministro da Saúde do governo Sarney. A inauguração da sede da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa na rua São Joaquim, em 1964, foi outro marco importante. O Bunkyo passou a promover e/ou coordenar a maioria dos grandes eventos que envolvessem a comunidade nipo-brasileira como um todo: aniversários da imigração, visitas ao Brasil de membros da Família Imperial, etc. A partir da década de 70 começam a surgir as primeiras obras literárias escritas por nikkeis, tendo como temas o Japão e os imigrantes, entre eles: Japão Passado e Presente, de José Yamashiro (1978), História dos Samurais, também de Yamashiro (1982), e a obra considerada como referência obrigatória dentro da história da imigração - O Imigrante Japonês, de Tomoo Handa, lançado em 1987. Em 1988, no 80º aniversário da imigração, comemorado com a presença do príncipe Aya, filho de Akihito, o Censo Demográfico da Comunidade, feito por amostragem, estimava o número de nikkeis no País em 1.228.000 pessoas. Nesse final de década, a comunidade nipo-brasileira, e o próprio País já começam a sentir os efeitos de um novo e curioso fenômeno que se alastra rapidamente entre as famílias nikkeis: os dekasseguis – os descendentes de japoneses tentando fazer fortuna no Japão, inaugurando o caminho inverso.                                                       

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