
Vida na fazenda
Donos da própria terra
Depois do jantar, as 23 famílias foram levadas às “casas dos colonos”, cortiços construídos em duas fileiras, com uma passagem ao meio. O chão era de terra batida. Não havia privada, pia, camas, ou qualquer outro tipo de móvel. Como o grupo chegou à noite, só restava a cada um estender o acolchoado que trouxera em sua mala, e adormecer no chão.
Os primeiros imigrantes japoneses a se tornarem proprietários de terra foram cinco famílias que adquiriram, em fevereiro de 1911, os seus lotes junto à Estação Cerqueira César, da Estrada de Ferro Sorocabana, dentro do projeto de colonização Monções, criado na época pelo Governo Federal.
Essas famílias foram, também as primeiras a cultivar o algodão. Em março de 1912 novas famílias são assentadas em terras doadas pelo governo paulista, na região de Iguape, graças ao contrato de colonização firmado entre uma empresa japonesa e aquele poder público.
Iniciado com cerca de 30 famílias - a maioria proveniente de outras fazendas onde os contratos já haviam sido cumpridos - esse foi um dos mais bem sucedidos projetos de colonização dessa fase pioneira. Nesse mesmo ano, os imigrantes atingem o Paraná, tendo como precursora uma família procedente da província de Fukushima, e que se estabelece na Fazenda Monte Claro, em Ribeirão Claro, cidade situada no norte do Estado.
Em agosto de 1913 um grupo de 107 imigrantes chega ao Brasil para trabalhar em uma mina de ouro, em Minas Gerais. Foram os únicos mineiros na história da imigração.
Em 1914, o número de trabalhadores japoneses no Estado de São Paulo, já estava em torno de 10 mil pessoas. Com uma situação financeira desfavorável, o governo estadual decidiu proibir novas contratações de imigrantes e, em março, avisou à Companhia da Imigração que não mais subsidiaria o pagamento de passagens do Japão para o Brasil. No entanto, a abertura de novas comunidades rurais, utilizando-se a mãode-obra existente, continuou.
Por essa época ocorreu também um dos episódios mais tristes da história da imigração, quando dezenas de pessoas, que haviam se instalado na Colônia Hirano, em Cafelândia, morreram vítimas da malária, doença então desconhecida para os japoneses.
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