
Walt Larimore
(Tradução Herci)
Ainda jovem, Tom começou negócios que cresceram em um empreendimento bem sucedido. Competência e caráter combinados resultaram em uma reputação excelente em sua comunidade. Depois de alguns anos ele presenciou empregados e clientes iniciarem uma relação pessoal com Deus e crescerem em sua fé.
Uma manhã o pastor lhe perguntou: “Tom, você já considerou dar sua vida para Deus, ou seja, trabalhar para o Senhor em tempo integral?”.
Tom pareceu confuso. “Pastor,” explicou, “eu sinto que o que eu estou fazendo agora é uma forma de trabalho de tempo integral para o Senhor”.
O pastor sorriu. “Tom, não existe nenhuma dúvida de que Deus tem usado você de maneira surpreendente; mas o trabalho que você faz é secular. Penso que Deus está chamando você para considerar a hipótese de ficar envolvido em algo mais alto”.
Como conseqüência daquela conversa. Tom vendeu seu negócio e assumiu um cargo administrativo em uma organização missionária. Desempenhou aquela tarefa por dois anos, quando então tornou-se meu paciente. Num contato mais íntimo com ele e analisando os resultados de seus testes médicos, assegurei-me de que ele estava sofrendo de ansiedade e depressão.
Um dia perguntei: “Tom, você pensa estar fazendo o que Deus quer que faça?”.
Com os olhos tristes respondeu: “Walt, penso que Deus colocou-me onde quis - em meus negócios na Califórnia.” Parou um pouquinho e continuou: “Você acha que existe diferença entre trabalho sagrado e trabalho secular?”.
O conceito errôneo de que algumas pessoas fazem trabalho sagrado para Deus enquanto o resto de humanidade faz trabalho secular é muito antigo. No pensamento ocidental esta idéia vinda da filosofia grega sempre ensinou que qualquer trabalho físico deveria ser escolhido pelo próprio homem, que definiria como passar o seu tempo. Os escravos faziam o trabalho servil, enquanto os homens livres gastavam o tempo em coisas da mente: religião ou filosofia.
Confúcio, com grande influência na filosofia ocidental, ensinou praticamente a mesma coisa. Esta noção confusa tem atingido a igreja com a conclusão de que “atividades seculares" são tidas como um entrave no que diz respeito ao desenvolvimento espiritual da pessoa.
Aceitar o secular/sagrado, invariavelmente leva os cristãos a serem atingidos pelas demandas de dois mundos. De um lado, você sente a necessidade de se tornar parte de seu trabalho. De outro, as correntes mais comuns dizem que você está desperdiçando seu tempo e que devia estar buscando a Deus. É difícil conviver com o sucesso se você permitir que estas forças dominem seu coração.
Como podemos então pensar seriamente a respeito de Deus se dedicamos a maior parte do tempo, talento, recursos e energia em coisas seculares sobre as quais imaginamos que Ele não tenha nenhum interesse? Dorothy Sayers fez a pergunta deste modo: “Como alguém pode permanecer interessado em religião se não tem nenhuma preocupação desse tipo em relação a nove décimos de seu dia-a-dia?”.
O que a Bíblia ensina? O panorama bíblico não abre espaço para o pensamento dualístico secular-sagrado. Diferentemente dos indiferentes deuses do pensamento antigo, o Deus da Bíblia está ativamente envolvido em Seu mundo. Ele tomou parte na criação. A linguagem bíblica usada para descrever o trabalho divino da criação é física e terrena. “Quando o Senhor Deus fez a Terra e os céus... formou o homem soprando em suas narinas o fôlego da vida, e o homem se tornou um ser vivente. Formou um jardim na parte oriental do Eden e ali põe o homem que Ele formou” (Gênesis 2:4, 7, 8).
O apóstolo Paulo reitera a posição de Deus sobre o local de trabalho. Nos dias de Paulo, a força dos escravos dada as medidas da mão-de-obra. Em lugar de usar expressões como empregado e empregador, como usamos hoje, ele os chamou de escravos e mestres.
- Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus. E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens, sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis" (Colossenses 3:22-24).
Se você estiver vivendo com um trabalho meio-a-meio secular-sagrado, então você terá que fazer uma escolha: embora mantendo essa atividade você se afastará tanto quanto possível das "coisas mundanas"; ou você esquecerá Deus e seguirá atrás do sucesso, como o mundo define isto. Tentar viver em ambos os mundos pode se tornar algo muito difícil. Não importa qual seja o seu trabalho, Deus pode e o usa quando você age com honra e integridade.
Deus no local de trabalho
"E, tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor e não aos homens" (Colossenses 3:23).
"Podemos transformar um trabalho ordinário em uma missão extraordinária se percebermos que Deus nos colocou em nosso trabalho como uma oportunidade para influenciar outros para Seu reino” - diz Ike Reighard, encarregado do Banco Hipotecário de Atlanta, que trabalhou também como pastor. Ele acredita que nós esquecemos nosso chamado porque misturamos nossos projetos com os de Deus.
Número 1: somos chamados por alguém: Deus. Número 2: somos chamados para fazer algo, e isto é a razão de sermos abençoados. Número 3: somos chamados para algum lugar. A verdade é que temos a propensão de tratar desses assuntos com negligência. Interessamo-nos mais em "para onde" somos chamados do que "por quem somos chamados". Se você fizer isto, então vai começar a pensar: "O único lugar em que posso desenvolver um ministério é na igreja, trabalhando em tempo integral". Mas não é bem assim.
Se os cristãos pensassem assim, então o ambiente dos nossos locais de trabalho mudaria. Nós respeitaríamos nossos colegas de trabalho, vendo-os com os olhos de Deus. No final das contas, diz Reighard, nós nos tornaremos líderes dos nossos empregados - como Cristo disse que devemos ser.
“Os cristãos devem perceber que somos todos chamados, embora nem todo cristão receba o manto do ministério”.