
No meio do tumulto de uma feira, um pai perdeu sua filha. Por longo tempo a procurou, mas em vão. Quatro anos depois, em Londres, quando procedia a uma das suas habituais pesquisas, viu uma menina no estrado de uma barraca de saltimbancos. Não havia dúvida, era ela! Salta os cavaletes, sobe ao tablado e brada-lhe: "Minha filha!" Mas a jovem, esquecida de seus primeiros anos, deseducada pela vida prolongada entre ciganos e contaminada pelos maus exemplos e péssimos conselhos respondeu: "Vós, meu pai?... Não vos conheço! Meu verdadeiro pai é aquele!". E apontava para um miserável charlatão, que já dispunha a intervir para não deixar escapar a sua presa.
Assim também acontece ao homem fraco e de pouca fé. Atraído no tumulto da vida pela ilusão grosseira do pecado é arrebatado das mãos paternas de Deus.
E quando Jesus vai em auxílio para arrancá-lo do vício e do pecado o infeliz transviado não reconhece o Salvador e continua no erro, escravizado pelas terríveis tentações do mundo
(“Lendas do Céu e da Terra”)