(Êxodo, capítulos 37, 39 e 40)
A Arca do Concerto, freqüentemente mencionada na Bíblia, era um repositório sagrado, uma espécie de cofre ou baú de madeira de acácia, construída segundo ordenações divinas, obedecendo nisso a todas as especificações recomendadas, desde o material empregado na sua construção, bem como medidas, quem deveria transportá-la, etc.
Era tão importante na vida dos judeus, que é mencionada em quase todos os livros do Velho Testamento, desde Êxodo, passando por todo o Pentateuco, Josué, Samuel, até Crônicas. Era conhecida também como a Arca da Lei, a Arca do Testemunho, ou a Arca da Aliança. Ficava guardada em grande segurança no Santo dos Santos, a parte interna do tabernáculo. Quando o povo marchava pelo deserto ela era transportada com o auxílio de varas colocadas em seu comprimento. O povo devia seguir a arca por onde quer que fosse.
Na perfeita descrição do autor de Hebreus (capítulo 9:4), continha no seu interior a vara de Arão – que significava o poder de Deus na pessoa do sacerdote; um pote de maná – figurando a saída do povo do Egito e o suprimento por parte de Jeová; e as tábuas do pacto – perpetuando a aliança prometida por Deus. Ao seu lado, segundo relato de Êxodo 16:34 e 25:21, permaneceriam as tábuas da lei – representando, como o próprio nome diz, as ordenanças divinas para o povo.
Após a morte de Moisés, já sob a liderança de Josué, o povo teve que atravessar novamente o Jordão. Josué ordenou que a arca fosse na frente, ocasião em que as águas se abriram para a passagem dos israelitas. Antes, porém, que o povo de Israel chegasse ao seu destino, a arca passou por várias mãos, ora ocasionando bênção, ora desgraça.
Durante o cerco de Jericó, comandado por Josué, a arca, à frente do povo, contornou a cidade sete vezes, antes da queda dos muros da cidade.
No tempo do sacerdote Eli, já em terras dos judeus e durante uma batalha, a arca caiu nas mãos dos filisteus. Hofni e Finéias, que estavam encarregados de sua segurança, foram mortos e a arca levada pelos inimigos. Foi, porém, devolvida logo, visto que os filisteus reconheceram que ela servia de proteção somente para os hebreus.
Mas chegaram a essa conclusão após amargas experiências. Haviam colocado a arca em um templo pagão em Asdode – o templo de Dagon. No dia seguinte, ao irem ao templo, viram o monumental deus Dagon caído para a frente. Colocaram-no em pé e foram-se. No dia seguinte, ao retornarem ao templo, viram novamente Dagon caído, com as mãos e os pés quebrados. Apavorados, decidiram mandar a arca para Gate e posteriormente para Ecrom.
Pelas cidades dos filisteus onde a arca passava, ficavam sempre marcas do castigo: homens mortos e toda a população atacada de hemorróidas.
Tantos foram os males causados pela sua passagem em terras inimigas que, depois de sete meses, foi mandada de volta ao povo de Israel.
A arca desapareceu de Jerusalém, logo após a destruição da cidade por Nabucodonozor e, desde esse tempo, nunca mais se teve notícia dela. João relata, em Apocalipse 11:19, uma visão segundo a qual viu a arca do concerto nos céus. Você crê? Isso é para os que têm fé.
'Porto'- Tarsila do Amaral