
(Páscoa, 2006)
Tem faltado vida ao ser humano. Somos seres vivos, mas, muitas vezes, com uma vida tremendamente limitada, fragilizada, em todos os aspectos. Os relacionamentos estão desgastados. Vida isolada, solitária e egoísta não é vida.
Muitos não vivem, vegetam. São vivos-mortos, pois estão mortos interior e relacionalmente, enquanto vivem em sua expressão biológica. Para viver, carecemos de objetivo, sentido, significado, valores, relacionamentos gratificantes.
Carecemos viver com mais significado, mais sentido, mais alegria e mais afeto. Porém, somos incapazes de viver plenamente dependendo apenas de nós mesmos. Deus enviou o seu Unigênito Filho e permitiu a Sua morte e ressurreição visando restaurar a vida plena na pessoa, na família, na sociedade, no Universo e na História. Somente nÉle poderemos recuperar o verdadeiro sentido da vida. O próprio Jesus nos disse: "Eu vim para que vocês tenham vida e a tenham com abundância" (João 10:10).
Deus Se preocupa com esse fato, pois Ele, como o Criador da Vida, fez-nos para viver da forma mais plena possível. O pecado – que quebra do relacionamento com Deus e da dependência dÉle, - limitou o ser humano em sua qualidade de vida.
Os valores dominantes em nossos tempos são frágeis e limitados para conduzir o viver humano. Todos necessitamos dos valores de Deus, do Evangelho de Cristo: os valores do amor, da graça, da dádiva, do acolhimento, da paciência, do serviço, do perdão, da solidariedade, da entrega de tudo em Suas mãos, visando servi-Lo e ao próximo. Sem Ele, nada poderemos fazer. Para ter a vida plena necessitamos da presença viva do Ressuscitado. E, junto com Ele, necessitamos uns dos outros e, também, da comunidade da fé.
Vida plena requer comunhão, relacionamento e convivência com Deus, como Senhor da Existência. Afastadas dÉle, as pessoas estão aquém de seu sentido de viver.
Teremos agora a celebração da Semana Santa, em especial, da Páscoa. Paulo, falando de Cristo (Romanos 8:1 e seguintes), afirma: "Ele (Cristo) nos deu vida estando nós ainda mortos em nossos delitos e pecados".
Neste tempo, temos a oportunidade de meditar a respeito de nossas vidas; a qualidade de vida que temos como pessoas, famílias, igreja, sociedade; as realidades e as necessidades que temos e o desafio de colocar em Cristo a nossa certeza e segurança de uma "nova vida" - com significado e cheia de plenitude. Possa você acolher a vida que o Senhor Ressurreto vem lhe conceder. Aleluia!
Nelson Luiz Campos Leite
Editor do "No Cenáculo" para a Língua Portuguesa