
Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz... (Efésios 2:14 e 15).
Seja a paz de Cristo o árbitro em vossos corações, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos (Colossenses 3:15).
A vida tem sido muito violenta para todos nós. Em todos os âmbitos e circunstâncias, contemplamos atos de violência. Todos os dias a TV transmite cenas de violência na família, em especial entre pais e filhos. Mas nem sempre a violência é física. Pode ser verbal, emocional, coercitiva, circunstancial, camuflada, por meio de chantagem, etc.
Infelizmente, os meios de comunicação dedicam enorme espaço à violência em seus noticiários, filmes, documentários e jornais. Este é o tema mais apresentado à família.
Ao pensar em violência temos em mente as outras pessoas, as más: aquelas que, sendo vítimas da violência na infância, passam a ser seus agentes na juventude e vida adulta. Na verdade, não é bem assim, pois nos surpreendemos vendo a nós mesmos como agentes e vítimas da violência. Por exemplo: no trânsito, pessoas em veículos mais caros e sofisticados praticam direta ou indiretamente a violência, impondo sobre as demais o poderio de seus bens; jovens irresponsáveis, motociclistas apressados, pessoas alteradas também têm causado graves acidentes, nos quais a violência tira ou fragiliza a vida.
Há muita violência na família, nos relacionamentos supostamente fraternos e amoráveis. Infelizmente, no lar, no trabalho e até na igreja nos flagramos como agentes ou vítimas da violência. A imposição da vontade, a intolerância, o desrespeito, a forma como nos dirigimos à outra pessoa indicam a violência de maneira tão dramática quanto nos locais já rotulados como violentos, tais como os morros, favelas, bairros de periferia.
Em nosso País todos estamos atualmente envolvidos com o "Não à Violência" e com o chamado social a depor as nossas armas, entregando-as para serem destruídas. Serão somente essas as nossas armas? Ou, mesmo desarmados, estamos fazendo de nossas vidas uma arma, pelo modo de nos relacionarmos, pela expressão de nossos temperamentos, pela maneira como compreendemos e convivemos com as pessoas?
Façamos do altar de nossas vidas um espaço de intercessão e abertura à paz de Cristo, para que ela seja árbitro em nossos corações (Colossenses 3:15), pois pela graça divina Ele é a nossa Paz (Efésios 2:14).
Nelson Luiz Campos Leite
Editor do "No Cenáculo" para a Língua Portuguesa
(http://www.editoracedro.com.br/cenaculo.htm)