Drama em um leito

 

O episódio que vou narrar é prova insofismável da ação de Deus em nossas vidas – de todos, sejam evangélicos, católicos, espíritas, ou de outra religião.

Deus é anterior às denominações religiosas e está acima das discussões filosóficas entre os homens.

Trata-se aqui da história de um meu cunhado, que dissipou sua juventude e maturidade em meio à bebida e, quem sabe, com mulheres...

A verdade é que, na idade própria, casou-se com uma de minhas irmãs.

E continuou a beber desenfreadamente. Nem sei como conseguiu gerir seus negócios e garantir à família uma boa vida. Família, sim, porque vieram os filhos – dois meninos, depois homens.

Mas essa vida desregrada não durou muito. Minha irmã sempre foi cristã, como eu e como meus pais. Dobrou-se em oração diante de Deus, administrou o problema doméstico com equilíbrio e paciência.

Um belo dia, seu marido, que já começava a freqüentar a igreja, converteu-se e se entregou totalmente a Jesus.

Nem é preciso dizer que a vida de minha irmã e dos filhos mudou radicalmente. Ele passou a se dedicar à família e à igreja, demonstrando a transformação que sofrera.

Ah!, mas nem tudo é como gostaríamos que fosse. Muitas vezes há revezes e dias maus.

O tempo em que vivia bebendo trouxe as suas conseqüências: começou a sentir uma dor aguda na região no abdome, o que o levou aos médicos e aos exames.

Diagnóstico: cirrose hepática.

Por um tempo, a vida continuou. Ele seguia as prescrições médicas e, assim, conseguia enfrentar a dura realidade. Só que, com o tempo, a coisa foi-se agravando, as dores foram aumentando, o funcionamento do organismo, especialmente do fígado, já deixava a desejar.

Começou a emagrecer e a ter dificuldades com certos alimentos.

Um belo dia caiu de cama. Não conseguia mais andar sozinho, tinha que ter apoio de outras pessoas, cada vez mais magro e pálido.

Aí minha irmã colocou uma questão: mas se é cirrose, fica sem explicação o estado de magreza e prostração em que ele se encontra.

Procuraram novamente apoio na medicina. Acabaram indo para um centro maior, com mais recursos, a fim de que ele se submetesse a novas consultas.

Assim é que os médicos decidiram fazer vários exames laboratoriais, inclusive radiografias e ressonância magnética.

Feitos esses, a constatação: câncer no fígado.

Então a coisa era mais séria do que se pensava!

Rádio e quimioterapia foram tentados, mas praticamente sem resultados.

E era um leva e traz, em cadeira de rodas, na direção do hospital, para as seções de rádio e quimioterapia! E o seu estado piorando a olhos vistos.

Foram muitas as tentativas, mas em vão – sobreveio-lhe a morte.

À minha irmã cabe um importante registro: nunca desistiu, nunca fraquejou, esteve ao lado dele até o último minuto e foi realmente a heroína neste caso.

 

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