
(1880 – 1964)
O general MacArthur parece ter nascido fadado para a guerra. A sua vida foi uma sucessão de batalhas nos mais variados teatros de guerra: na Primeira Grande Guerra, integrado na Divisão Arco Íris, combateu na Europa; na Segunda Grande Guerra lutou no Extremo Oriente e, anos depois, voltou ao Pacífico para combater na Coréia.
Nascido a 26 de Janeiro de 1880 em Little Rock, no Arkansas, MacArthur fazia remontar a ascendência dos escoceses MacArthur, ao Rei Artur e aos cavaleiros da Távola Redonda.
Torna-se difícil imaginar outra carreira para MacArthur que não a das armas. O seu pai, um antigo general, matriculou Douglas na Academia Militar de West Point. Terminado o curso, em Junho de 1903, foi alocado nas Filipinas, onde mais tarde teria a seu cargo a chefia da missão militar norte-americana.
Em 1937 abandona a ativa e, não fora o fato de os japoneses atacarem Pearl Harbor, a sua carreira terminaria sem brilho nem glória. Em Junho de 1941 regressa à ativa para, no momento em que deflagra o conflito nipo-americano, assumir o comando das Forças Armadas dos Estados Unidos no Extremo Oriente.
Uma das suas expressões mais célebres espelha bem a tenacidade do general norte-americano: “Eles podem ter a garrafa, mas a rolha sou eu quem a tem”.
Quando a situação se revelou insustentável recebeu ordens para se retirar do terreno, partindo com os seus homens para a Austrália. (“Estavam sujos, cheios de piolhos, cheiravam mal, mas eu os admirava!”).
Às sete e meia da manhã de 11 de Março um contratorpedeiro esperava para o levar até à Austrália juntamente com a família.
As probabilidades de chegar são e salvo à Austrália eram de sete para uma. Nessa mesma manhã, na rádio japonesa, “Rosa de Tóquio” – a mais temida propagandista japonesa - afirmava que se MacArthur fosse capturado vivo seria enforcado na Praça Imperial de Tóquio.
Mal desembarcou em território australiano proferiu a mais conhecida das suas frases. Da frase completa, para a História, passaria apenas a parte final: “Eu voltarei!” (I shall return!). E voltou.
A 6 de Agosto de 1945 uma superfortaleza voadora B-29 lançava sobre Hiroshima a primeira bomba atômica da História, obrigando o Japão a render-se. No dia seguinte, não querendo ficar à margem da vitória e da ocupação do território dos vencidos, a União Soviética declarava guerra ao Japão.
O General foi designado para a assinatura da rendição japonesa. Desejava que a viagem até o Japão, para a assinatura formal da rendição nipônica, terminasse no aeroporto de Yokohama. Os japoneses manifestaram o seu desagrado por esta idéia, argumentando que o referido aeroporto fora uma das bases dos kamikazes, muitos dos quais continuavam a residir ali. Mais: muitos desses pilotos-suicidas haviam manifestado o seu descontentamento pela rendição japonesa, numa cerimônia que se desenrolara no Palácio Imperial de Tóquio.
A 30 de Agosto, o avião de MacArthur (batizado com o nome de Bataan) aterrissava no aeroporto de Atsugi. A cerimônia oficial da rendição do Japão realizou-se no dia 2 de Setembro de 1945, tendo por palco a coberta do couraçado Missouri.
Aos japoneses MacArthur poupou, na medida do possível, a humilhação que normalmente espera os vencidos. A política de ocupação que desenvolveu permitiu ao Japão o regime democrático e a prosperidade atuais.
Ainda em Tóquio foi informado de que começara uma nova guerra, desta vez na Coréia. O Conselho de Segurança da ONU nomeia MacArthur comandante-chefe das forças das Nações Unidas na Coréia.
Quando anunciou a intenção de bombardear as tropas chinesas em Yalu, Washington começou a encará-lo como uma ameaça. Quis, então, pedir demissão, sendo impedido de fazê-lo por alguns dos seus amigos. Um dia um dos seus pilotos perguntou: “Meu general, afinal de que lado estão os Estados Unidos e as Nações Unidas?”.
A 11 de Abril de 1951, o presidente Truman, que não nutria uma grande simpatia pelo general, anuncia a sua destituição.
Em 1952, alguns dos seus amigos do Partido Republicano propuseram a MacArthur – como haviam feito em 1948 – que se candidatasse à presidência. Uma vez mais deixou bem claro que não tinha ambições políticas. Truman, que o questionara sobre uma eventual candidatura à Casa Branca, ouviu de MacArthur a seguinte resposta: “Se, no seu caminho, tropeçar num general não será certamente em mim...”.
MacArthur regressou então à sua casa de Nova Iorque, onde faleceu a 5 de Abril de 1964. Tinha 84 anos e combatera em três guerras que marcaram o século XX.