Discriminação laboral

 

Abaixo, um dos muitos extremos da discriminação e da intolerância racial

 

Caro internauta, o mundo está cada vez mais infestado de xenófobos presunçosos que pensam ser os donos da verdade e se sentem ‘por cima da carne seca’. Não sei se você sabe, mas isso tem tudo a ver com racismo, nazismo e fascismo, ou seja, uma pretensa superioridade defendida por alguns povos.

O que você vai ler abaixo nada mais é do que um exemplo corriqueiro do que ocorre no mundo de hoje. Imagine, funcionários a serviço de uma empresa de seleção de pessoal sentindo-se superiores àqueles que eventualmente seriam os admitidos, esquecendo-se de que, no vai-e-vem do capitalismo, eles poderão logo estar por baixo.

Por que será que uma boa parte da Europa (e também Estados Unidos) se sente assim superior?

 

ELPAÍS.ES | Madrid (tradução Herci)

 

'Não, é cigana e feia'

Uma cadeia de supermercados discrimina os aspirantes a postos de trabalho por seu físico, sua procedência ou sua maneira de vestir, segundo informa a cadeia televisiva SER (Espanha).

‘Estrangeiro, gordo, escurinho, parece Pancho Villa, mas faminto’. Este é um exemplo de uma das notas manuscritas de caráter xenófobo e pejorativo encontradas junto a solicitações de emprego resgatadas de um tambor de lixo em uma rua de Madri, segundo informou esta manhã a Rede SER no programa Hoje Por Hoje. As notas contêm frases desrespeitosas sobre a origem social, as circunstâncias familiares ou o aspecto físico dos aspirantes. Segundo a emissora, vários atingidos asseguraram que as petições eram todas dirigidas à rede de supermercados Sánchez Romero.

Os currículos apareceram a trinta metros dos escritórios desta rede de alimentação. Nos papéis encontrados há listas de solicitações de bolsas de trabalho de povoados da Comunidade de Madri, como o de Alcobendas, e também de algumas empresas de trabalho temporário. Outros documentos que foram achados são manuais de funcionamento interno de Sánchez & Romero, estatísticas de venda, listas de dispensa de pessoal e planilhas de previsões. Segundo fontes da empresa consultadas pela emissora de rádio, costumam ser destruídos todos os documentos que já não servem aos seus objetivos.

Um dos candidatos apresentou-se à entrevista de trabalho vestido com uma calça tipo ‘caçador’ de couro. Não foi admitido. Junto a seu currículo aparece a seguinte anotação: ‘Não, cara. Chupador de couro’.

As pessoas envolvidas por estes comentários haviam respondido a anúncios publicados pela empresa de alimentação em fins de 2000 para cobrir vagas para responsáveis por postos de estacionamento, secretárias de direção, encarregados de marketing ou caixas.

Na empresa Sánchez Romero, informa a Rede SER, asseguram que nunca discriminaram aspirantes a um emprego por sua origem social ou seu aspecto físico, embora reconheçam que a boa presença é importante na hora da escolha. As provas de seleção foram levadas a cabo em um dos escritórios da Rua Doutor Fleming, de Madri, sede da empresa. Por ali passou Edgar, universitário, ‘sul-americano, cor escura sem ser negro, café-com-leite, mais para café’, que não foi aceito.

 

‘Não, mal pintada, cara de leitoa’

 

Estes são alguns exemplos das anotações:

- Estrangeiro, gordo, escurinho, parece Pancho Villa, mas faminto.

- Estrangeiro. Na realidade são todos iguais. Dá medo, parece um índio.

- Não, é cigana e feia.

- Gordinha, com espinhas, tem buço no bigode e queixo grande. Verificar fotografia.

- Não, é muito velha.

- Está como um regador. Pai alcoólatra, viveu em residência comunitária. Custódia de sua filha pela comunidade de Madri. Teve menos sorte que Pascoal Duarte na vida.

- Sul-americano, cor escura sem ser negro, café-com-leite, mais para café.

- Não, mal pintada, cara de leitãozinho.

- Bairros inferiores, pinta de drogada.

- Não aprecio sua cara, além de que, com 26 anos já é separada.

- Leucemia, radioterapia. Em dois meses ‘chega lá’. Bonita.

- Gordo e feio.

 

Caro amigo, a medida do preconceito – que leva à discriminação – é aferida de várias maneiras: ou tem fundo religioso, racista, social ou, ainda, econômico-financeiro. E do lado dos excluídos estarão sempre os menos favorecidos, quer dizer os pobres, os famintos, os incultos, os mal-vestidos e por aí afora.

A questão da migração surge como um dos problemas centrais. Uma das maiores preocupações dos partidos de extrema-direita da Europa hoje em dia é não permitir a entrada de estrangeiros em seus países, a não ser como turistas. Especialmente se forem africanos, sul-americanos ou pobres (geralmente pobres!!!).

O curioso é que quem hoje exercita a discriminação pode perfeitamente ser sua vítima amanhã, como ocorreu com os judeus no templo da Alemanha nazista.

É claro que especialmente de uns cinqüenta anos para cá houve progressos no controvertido tema, dedicando-se muita gente à luta contra a desigualdade. Se você tiver oportunidade de ler artigos ou autores de meados do século XX, poderá verificar a maneira como eram considerados todos aqueles que tinham vida ou comportamento diferente dos ‘europeus’ ou dos ‘brancos’.

Na literatura universal, inclusive na brasileira, eram muito comuns expressões como ‘negro fedido’, ‘negrinho’, ‘crioulinho’, ‘joão-ninguém’, ‘bastardo’, ‘tição’. Esse tratamento encontra-se até em Monteiro Lobato, um dos expoentes das nossas liberdades. A boneca Emília, quando foi xingar a preta Nastácia, assim se referiu a ela:- “Negra beiçuda! Deus que te formou, alguma coisa em ti achou!”.

Você conhece a história de Tarzan. Seu criador e principal escritor – Edgard Rice Borroughs, – num costume próprio de sua época, refere-se aos habitantes da África de maneira igualmente pejorativa. Dessa mesma maneira, Rudiyard Kipling via o seu mundo de então, como, por exemplo, em ‘Kim’.

 

Principais Artigos

Retalhos

home