
Temos na Bíblia menções da semana (septimana, em latim, ou sete dias), como hoje a conhecemos, desde os tempos do Velho Testamento, quando o povo de Deus aprendeu a santificar o dia do Sábado – ‘descanso’, o último da semana.
Assim, a cada seis dias de trabalho deveria corresponder um de descanso, no qual não deveria ser feito nenhum trabalho (Gênesis 2:3, Êxodo 20:8-10 e 31:15).
Entretanto, há duas questões sobre as quais gostaria de falar: qual é a maneira racional de guardar esse dia e qual é realmente o dia: sábado ou domingo?
Bem, sobre de que maneira guardar o dia, temos o testemunho do Velho Testamento, onde Deus – conhecedor da hipocrisia humana – dizia-se aborrecido com 'os sábados e os ajuntamentos solenes' (Isaias 1:13), e o de Jesus que, embora cumpridor da lei mosaica, na verdade reformulou-a.
Vejamos, por exemplo, nos textos abaixo, como o Mestre enfrentava a sanha dos escribas e fariseus, quando se tratava de ‘guardar’ o sábado.
Mateus narra, no capítulo 12:1-12 do seu Evangelho que, num sábado, estavam Jesus e os seus discípulos ao lado de uma lavoura e, sentindo fome, pegaram espigas e comeram. Diante disso, os seus adversários perguntaram se não era contra a Lei fazer isso num sábado. A isso, Jesus imediatamente respondeu: Acaso vocês não leram o que Davi fez quando tiveram fome, ele e seus companheiros? Entraram na casa de Deus e comeram os pães da proposição, que não era lícito comer, nem a ele, nem a seus companheiros, mas somente aos sacerdotes. Ou não leram que os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa? Aqui está o que é maior do que o templo. Mas, se vocês soubessem o que significa: Quero misericórdia, e não sacrifícios, não estariam condenando os inocentes. Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor.
Numa outra ocasião, também num dia de descanso e diante de um pobre homem que tinha uma das mãos atrofiadas e foi por Ele curado, Jesus foi interrogado: E então, Rabi, é lícito curar num sábado? E ele lhes disse: Qual de vocês, tendo uma só ovelha que num sábado caia numa cova, não há de tirá-la do buraco? Ora, um homem vale mais do que uma ovelha! Portanto, é lícito fazer bem nos sábados.
Os escribas e fariseus do tempo de Jesus eram excessivamente rigorosos no guardar o sábado. Nesse dia deixavam de lado todas as suas atividades seculares. Por isso Jesus, discorrendo sobre ‘a grande tribulação’, chegou a dizer: Orai para que a vossa fuga não suceda no inverno nem no sábado (Mateus 24:20).
Segundo registro de Marcos, no capítulo 2:27 do seu Evangelho, ‘o sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado’. São palavras de Jesus, das quais se depreende que Deus não precisa de ‘sábados’, pois é eterno. Quem precisa desse dia para renovar as suas forças é o homem, que vive ansioso com o seu dia a dia. Vemos, assim, que todo e qualquer esforço do ser humano para guardar o ‘dia de descanso’ com perfeição, esbarra na própria orientação divina, especialmente depois de ter sofrido a ‘reformulação’ feita por Jesus.
A mesma orientação é transmitida aos Colossenses pelo apóstolo Paulo: Ninguém, pois, vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa de dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados, que são sombras das coisas vindouras, mas o corpo é de Cristo (capítulo 2:16-17).
Resta-nos, assim, a segunda parte: é sábado ou domingo?
Não fiz pesquisa profunda em outras línguas, mas, o certo é que ‘sábado’ vem de sabbath, ou xabbath, que significa ‘dia de descanso’ em hebraico. Ou seja, depois de seis dias de trabalho vem um de descanso. Na nossa língua, sábado é sábado. Mas em inglês, sábado é “saturday”, dia de saturno, mais para o esoterismo do que para o cristianismo (sunday, dia do sol, monday, dia da lua, etc.), ao passo que ‘dia de descanso’ nesta língua continua sendo ‘sabbath’. E aí, como fica, deve-se guardar o último dia da semana (sábado) ou o primeiro (domingo, derivado de ‘dominus’ – ‘Senhor’)?
A prática de guardar o domingo está ligada a estudos levados a efeito desde Gregório e Constantino, além de que – e isto é bom notar – vários episódios bíblicos importantes ocorreram no domingo.
O da ressurreição de Cristo, por exemplo, narrado em Mateus 28:1-10 e também em Lucas 24:1, registra que “... já despontava o primeiro dia da semana quando as mulheres foram ao sepulcro...”.
A páscoa dos judeus era comemorada no primeiro dia da semana (veja Mateus 26:17), durava sete dias e terminava em um sábado.
O Apóstolo João menciona, no Apocalipse, que foi arrebatado no ‘dia do Senhor’ (1:10).
A descida do Espírito Santo sobre a Igreja primitiva ocorreu no primeiro dia da semana, em um dia de Pentecostes (50 dias depois da páscoa dos judeus).
Paulo deixa orientação aos irmãos de Corinto sobre a ordem no culto, dizendo (I Coríntios 16:2): No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder, conforme tiver prosperado, guardando-o, para que se não façam coletas quando eu chegar. Nota-se que já era adotado o ‘dia do Senhor’ (domingo) como destinado aos cultos regulares.
Você pode ficar com a orientação deixada pelo Mestre e pelos seus discípulos e apóstolos, como também pode adotar a teoria dos adventistas (que chegaram a profetizar o fim do mundo no século XIX) ou dos sabatistas. Você decide.