
Em minha vida – 30 anos de Banco do Brasil, mais 3 anos anteriores de Banco Noroeste – mais todos os anos de escola (do primário à faculdade) certamente que vi, conheci, privei da amizade e gravei na memória o nome, as particularidades - e muito mais - das pessoas com quem convivi, inclusive muitos grandes amigos.
Tanto que, se encontrar na rua ou em algum lugar público alguém que conheci há anos, sempre haverei de identificá-lo como pessoa do meu relacionamento, pelos seus traços fisionômicos, sem, muitas vezes, lembrar-me do nome.
Isso porque, anos depois, um ou mais dos neurônios que me permitiriam identificar aquelas pessoas foi interrompido, ou deteriorado – a lembrança já não é mais tão clara como antes.
Assim é que, encontrando alguém que – parece – me conhecia, vinha aquele branco, aquela dúvida: de onde é que esse sujeito me conhece? Ou que eu o conheço?
Minha memória visual, ou fotográfica é bem mais aguçada e ativa do que aquela que nos possibilita lembrar de nomes e datas, por exemplo.
Outro dia encontrei alguém no metrô da Capital.
- Olá Herci, tudo bem com você?
E agora? Não me lembrava daquele "amigo". Mas sempre tive o hábito de nunca confessar essa falha cerebral.
- Olá - disse eu – e fiquei "na minha". Alguma coisa aconteceria desse encontro que me permitisse lembrar sem ter que perguntar.
Teria sido no Metrô? Ou na rua? Ou no prédio onde moro? Ou nas agências do Banco onde trabalhei? Ou ainda – o que é pior e mais distante – na cidade de Marília, ou na de Dracena, lugares onde também morei e trabalhei?
Continuei na minha.
- Então – perguntou-me ele – como vai o João?
- João? Que João?
- O João Baptista, do CESEC!...
Ah!, agora a coisa está esquentando.
- Ah, o João Baptista? Tudo bem com ele, pelo menos até onde eu sei. Ele foi aproveitado em importante cargo no CESEC-Brasília (hoje extinto e transformado em outro Setor) – mas agora, acho que também está aposentado...
E, como você pode imaginar, daí a coisa "engrenou". Era uma amizade de cerca de trinta anos que refloria, que vinha novamente à tona.
E aí, sim, lembrei-me do "amigo" e do seu nome. Falamos não apenas sobre o João Baptista, mas sobre aquele período em que pudemos conviver e que foi tão grato e feliz.
Não sei você, mas tudo quanto me faz lembrar fatos antigos me deixa alegre.
Acho que é porque os meus dias - confesso – sempre foram alegres e felizes. Nunca tive dias maus, tempos maus – só alegria e felicidade.
Estou falando sério: felicidade - porque os dias maus, as enfermidades, os aborrecimentos passam, mas em nossa memória permanecem alegria, amor, felicidade!...
E relembrar o passado, com seus dias, nomes e fisionomias, é algo que sempre me fez feliz – fruto da felicidade que sempre senti na meninice, na adolescência e também na maturidade.
Obrigado, pai e mãe, pela sua contribuição!...