Da cor dos esquilos

 

Ivan Lessa 

 

Paca, tatu, cotia não. Era o que se repetia nos meios que diziam respeito a menores de 12 anos.

Nunca entendi o que significava. O mistério perdura. Espero que nunca me elucidem.

A vida segue cada vez menos interessante a esta altura do campeonato. Nunca vi uma paca em Copacabana. Parece que, antes de eu me mudar para lá, idos dos anos 40, havia uma, mas morreu, coitada, e nunca ninguém soube de que. Tatu? Música, talvez. “O tatu subiu no pau, é mentira de vancê”. Coisas e graças de nossos caboclos.

Dos três bichos citados, sou mais íntimo da cotia. Comi muita cotia. Sem saber que era cotia, apresso-me em esclarecer.

Eu e um amigo íamos ao Maracanã, voltávamos de trem, saltávamos na Central do Brasil e, antes de tomar o ônibus para Copacabana, pegávamos um delicioso churrasquinho num espeto de bambu, que o vendedor dava para a gente rolar num molho e, em seguida, na farinha.

Desses folclores que nos acompanham vida afora e sempre exclamamos, ao contar para o pessoal na mesa, que não havia nada mais gostoso no mundo.

Claro que um dia deu no jornal: presos os malandros que roubavam as cotias da praça da República e depois vendiam como churrasquinho. Quer dizer: comi e achei uma delícia muita cotia. Isso com sorte. Correu depois o boato – rezo para que seja boato – de que eram churrasquinho de gato.

Tudo isso porque acabo de saber, por editorial de jornal britânico, que há um movimento para se defender e preservar o esquilo vermelho que, aos poucos, devido ao espírito aventureiro de alguns, vem sendo abandonado pelo esquilo cinzento importado, para variar, dos Estados Unidos.

Não acabem com o esquilo cinzento. Prestigiem o vermelho. Insisto apenas – e digo por experiência – que não é para comer nem um nem outro. Cotia, talvez.

 

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