D. Pedro II

(Imperador do Brasil)

 

(02/12/1825 - 5/12/1891)

 

O segundo imperador do Brasil nasceu no Palácio da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, sendo o sétimo filho e terceiro varão do casal de imperadores D. Pedro I e D. Maria Leopoldina, que faleceu quando o príncipe tinha apenas um ano. Com a morte de seus irmãos mais velhos, Miguel e João Carlos, herdou o direito ao trono do Brasil.

Após a abdicação do trono e a partida de D. Pedro I para Portugal, subiu ao poder com apenas 6 anos, em 7 de abril de 1831. Até assumir de fato o poder, ficou sob a tutela de José Bonifácio de Andrada e Silva e depois do marquês de Itanhaém, Manuel Inácio de Andrade Souto Maior.

Enquanto o Brasil era governado por uma regência, D. Pedro II iniciou os seus estudos com a sua camareira, D. Mariana Carlota Magalhães Coutinho, a condessa de Belmonte. Com diversos mestres do seu tempo aprendeu outros idiomas, música, dança, geografia, literatura, ciências naturais, pintura e equitação.

Após nove anos de conflitos políticos internos no Brasil, foi declarado maior de idade pela Assembléia Legislativa, atendendo a pressões do Partido Liberal, sendo sagrado e coroado um ano depois, na Capela Imperial do Rio de Janeiro.

Casou-se com a princesa napolitana Teresa Cristina Maria de Bourbon. Com ela, teve quatro filhos, mas somente dois sobreviveram: as princesas Isabel e Leopoldina.

Entre seus primeiros atos de governo, decretou a anistia geral e restabeleceu o conselho de Estado. Neste primeiro período, tentou buscar a pacificação do país, contornando diversas revoltas.

Quando o país esteve em guerra com o Paraguai chegou a se incorporar ao Exército nacional, durante o período do cerco da cidade de Uruguaiana, e foi até o local do conflito, numa viagem que durou seis meses.

Durante o seu governo, foram construídas as primeiras linhas telegráficas e a primeira estrada de ferro do país. A imigração estrangeira e a instrução pública também receberam incentivos do imperador, que por diversas vezes foi nomeado árbitro em litígios internacionais.

Em seu Império ocorreram fatos relevantes para firmar o Brasil como futura potência: o fim do tráfico negreiro, a implantação do sistema de esgotos das duas principais cidades da época, São Paulo e Rio de Janeiro; a Lei do Ventre Livre; a libertação dos escravos sexagenários e a lei Áurea, em 13 de maio de 1888, sancionada pela princesa Isabel, que ocupava a regência.

Interessado pelas letras e pelas artes, trocou correspondências com vários cientistas europeus da época, como Louis Pasteur e Arthur de Gobineau, sempre incentivando intelectuais e escritores. Durante o seu reinado, excursionou pelo Brasil e visitou diversos lugares do mundo, como a América do Norte, a Rússia, a Grécia, o Egito e a Palestina. Nestas visitas sempre buscava trazer inovações tecnológicas para o país, como a câmera fotográfica, onde os registros de suas viagens se tornaram preciosidades históricas.

Em 1870, com o final da Guerra do Paraguai, as divergências políticas se acirraram e o surgimento do Partido Republicano neste ano deu início à decadência política do Império. Em 1887, apesar dos problemas de saúde, fez a sua última viagem ao exterior como imperador, onde visitou a França, Alemanha e Itália. Em Milão, chegou a ficar por um período internado devido a uma pleurisia.

Com a proclamação da República em 15 de Novembro de 1889, ficou prisioneiro no paço da Cidade, para onde foi ao sair de Petrópolis, numa tentativa frustrada de sufocar o movimento. Com a decretação de que teria que sair do país em 24 horas pelo governo provisório, deixou o Brasil e foi para Portugal com a família dois dias depois, chegando em Lisboa e depois indo em direção ao Porto, onde a imperatriz morreu no dia 28 de dezembro.

Na Europa, viveu em Cannes, Versailles e Paris, onde participou de palestras, conferências e espetáculos de arte. Aos 66 anos, morreu de pneumonia, em um luxuoso hotel em Paris.

Seu corpo foi transladado para Lisboa, onde foi colocado no convento de São Vicente de Fora, juntamente com o de sua esposa. Em 1920, os restos mortais do imperador vieram para o Brasil, onde foram depositados na catedral do Rio de Janeiro e depois foram transferidos para a catedral de Petrópolis, onde se encontra sepultado.

Seu nome completo era Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.

Com relação a sua participação na divulgação do telefone, recém-inventado, sabe-se que em 25 de junho de 1876, D. Pedro II e seus companheiros ilustres da comissão científica passam a tarde percorrendo a uma exposição e assistindo às demonstrações dos inventos ali expostos.

O Imperador sabe que deverá visitar Graham Bell. Mas, como se demorassem na visita aos estandes do setor de eletricidade, o prazo previsto foi passando. Ali pelas 19 horas, todos se preparam para encerrar os trabalhos porque o cansaço é visível na fisionomia dos cientistas. O grupo está perto do pavilhão educacional do Estado de Massachusetts, quando Graham Bell surge ao longe e acena para o Imperador do Brasil. Ambos se cumprimentam com a alegria de amigos e D. Pedro pergunta: "Como vai, senhor Bell? E os surdos-mudos de Boston, como estão?".

Graham Bell responde e convida D. Pedro para que veja aquele "aparelho elétrico, uma máquina falante que eu gostaria que Vossa Majestade examinasse". Alguém observa que não devem perder tempo "com aquele brinquedo infantil do professor Bell". Mas o Imperador não recua e se dirige ao modesto estande. Todos se aproximam dos aparelhos, enquanto Graham Bell fica numa ponta do fio, no transmissor, a quase 150 metros de distância. A comissão está impaciente e teme um fiasco. De repente, todas as atenções se voltam para D. Pedro, que, com o fone ao ouvido, escuta nitidamente a voz de Graham Bell declamando Shakespeare:

- "To be or not to be..."

O imperador não se contém, diante daquela maravilha:

- Meu Deus, isto fala! ("My God, it speaks!").

A presença de D. Pedro II conferiu novo sentido e talvez a oportunidade extraordinária que faltava para a promoção do invento.

 

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