Crucifiquem-no - II

 

 

Então, Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles porém disseram: Que nos importa? Isso é contigo. E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar (Mateus 27:3-5).

 

E, respondendo o governador, disse-lhes: Qual desses dois quereis vós que eu solte? E eles disseram: Barrabás. Disse-lhes Pilatos: Que farei, então, de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Cruficiquem-no! O governador, porém, disse: Mas que mal fez ele? (Mateus 27:21-22).

 

A Democracia é uma forma de governo do povo, pelo povo e para o povo.

Em todos os lugares do mundo foi implantada com grandes dificuldades – ora com derramamento de sangue e lutas armadas sangrentas, ora de uma forma pacífica, porém não sem grandes embates e discussões.

De tudo isso, o que se tem é que a Democracia em todo o mundo e também no Brasil é algo caro, que deve ser respeitado.

Disso vêm-nos uma outra vertente: os Poderes Constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário, cada um deles com suas atribuições específicas, não podendo um interferir no outro. São iguais perante a Constituição que lhes é superior. Ela, sim, é soberana!

O que passar disso, deixa de ser Democracia: vira anarquia ou ditadura.

Corremos no momento o risco de ver a nossa Democracia e a nossa Constituição abaladas. Ou, no dizer de José Dirceu, "Espero que esse passo arriscado não se volte contra o Congresso e contra a democracia".

Referia-se à cassação do seu mandato de deputado federal.

Para a opinião pública – esta sim, exercendo grande poder e influência - passar de um estado de expectativa para outro de ação, através de piquetes, quebra-quebras e tumultos de toda espécie, é coisa de instantes. Assim, se as coisas evoluírem em sentido não previsto, é de se esperar a deterioração de nossas instituições.

Diante de interesses pessoais de elementos que detêm cargos eletivos, de condenações sem provas, de notícias da mídia distorcidas e visando interesses inconfessáveis, além de outros despropósitos, corremos o risco de ver desestabilizadas as nossas referências com a Democracia.

E nós, no Brasil, temos, através da nossa História, experiência de situações em que houve quebra da Democracia e da Constituição – é quando aparecem os "homens fortes" através de golpes de estado, anulando os direitos do povo, fechando o Congresso, assumindo assim o poder.

 

E eles mais clamavam, dizendo: Cruficiquem-no (Mateus 27:23)

 

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