
(272 – 22/5/337)
A história dos grandes reis e imperadores foi, e sempre será, uma história de conquistas e guerras.
Nascido em Naissus, na Mésia, filho de Constâncio Cloro, Constantino teve uma boa educação e serviu no tribunal de Diocleciano depois que seu pai foi nomeado um dos dois Césares .Muito embora sua condição junto a Diocleciano fosse em parte a de um refém, Constantino serviu nas campanhas do “César” (*) Galério e de Diocleciano contra os Sassânidas e os sármatas. Quando da abdicação conjunta de Diocleciano e Maximiano em 305, Constâncio seria proclamado “Augusto” (*) - imperador sênior, mas Constantino seria descartado como “César” em proveito de Flávio Severo.
Face à morte de seu pai em 306, Constantino conseguiu viajar até o seu leito de morte em Eburacum na Britânia (atual York) e impôs o princípio da hereditariedade em seu proveito proclamando-se “Augusto” e fazendo-se reconhecer como tal por Galério, então feito Augusto do Oriente. Desde o início de seu reinado, assim, Constantino tinha o controle da Britânia, Gália, Germânia e Hispânia, com sua capital em Trier, cidade que fez embelezar e fortificar. Nos dezoito anos seguintes combateu uma série de batalhas e guerras que o fizeram o governador supremo do Império Romano. Severo havendo sido eliminado por Maxêncio, filho de Maximiano que se havia proclamado imperador em Roma, Constantino acabou por enfrentá-lo para conseguir o domínio completo do Ocidente romano. Depois de uma série de mediações fracassadas e lutas confusas, Constantino, em 310, apoiou o usurpador africano Lúcio Domício.
O fato de Constantino ser um imperador de legitimidade duvidosa foi algo que sempre influiu nas suas preocupações religiosas e ideológicas: enquanto esteve diretamente ligado à Maximiano, ele se apresentou como o protegido de Hércules, um semideus, e se dizia "ignorado pela multidão, mas perfeitamente conhecido pelos que o amavam", e descendente do imperador Cláudio II - ou Cláudio Gótico - conhecido pelas suas grandes vitórias militares.
Constantino acabou, no entanto, por entrar na História como primeiro imperador romano a professar o cristianismo. Segundo a tradição, na noite anterior à batalha sonhou com uma cruz, e nela estava escrito em latim "In hoc signo vinces" ("sob este símbolo vencerás"), e de manhã, um pouco antes da batalha, mandou que pintassem uma cruz nos escudos dos soldados e conseguiu uma vitória esmagadora sobre o inimigo.
Sua adoção do cristianismo pode também ser resultado de influência familiar: Helena, com grande probabilidade de ter nascido cristã, demonstrou grande piedade no fim da sua vida, chegando a realizar uma peregrinação à Terra Santa.
A sua vitória em 312 sobre Maxêncio resultou na sua ascensão ao título de “Augusto Ocidental”.
Segundo Eusébio de Cesaréia, o primeiro historiador da igreja cristã, falecido em 341, foi o próprio imperador Constantino o Grande, quem lhe confessou ter tido as duas visões que o convenceram de que Cristo o escolhera. A primeira delas deu-se nas vésperas da batalha Saxa Rubia, quando ele teria visto no céu, em meio as nuvens, a poderosa imagem da cruz e uma voz que lhe dizia: “Mea Pace est cum Vos” (“Minha paz está contigo”) e “In Hoc Signo Vinces”. E de fato, assim se deu. Apesar de inferiorizado, Constantino venceu fácil o rival chamado Maxêncio. Mas não havia ainda vencido a guerra. Dias depois, em 28 de outubro de 312, os inimigos foram esmagados nas estreituras da ponte, e o próprio Maxêncio pereceu afogado no Tibre.
(*) – Títulos de imperadores romanos.