Consciência negra

 

Cheguei-me ao balcão do Hospital do Câncer para retirar algumas radiografias. Estava já atrasado para a consulta.

Então alguém disse:

- Mais um feriado! Dia 20 de novembro... Que dia é esse?

Uma senhora rapidamente respondeu:

- É uma data nacional: o “Dia da Consciência Negra”.

Ao que um jovem bem trajado, aparentando boa educação, coincidentemente branco, fez o seguinte comentário:

 - É... eu não sou contra essas datas, mas transformá-la em data nacional! E feriado! Não sei por quê.

Sabe, meu amigo internauta, há muitas pessoas que falam que não têm preconceito e nem espírito racista, mas é tudo da boca para fora.

Atrás do comentário daquele jovem é patente, nota-se o preconceito.

Pergunto: por que não ter um dia da ‘consciência negra’? Por que não tentar colocar no lugar devido o povo, a pele, a raça tão judiada e agredida pelos nossos antepassados?

Veja que o povo que hoje é maioria no Brasil – os negros e mestiços - sofreu muito nas mãos dos negreiros e dos feitores.

Entrando em detalhes: por que não um “Dia da Consciência Negra”, se podemos ter o “Dia da Árvore”, o “Dia da Pátria”, o “Dia da Proclamação da República”? E mais o “Dia da Liberdade de Culto”, o “Dia da Bíblia”?

Note que há até um “Dia Nacional dos Quadrinhos”, um “Dia da Tipografia”, um “Dia dos Supermercados”.

Pergunto: objetos inanimados, como tipografia, ‘Quadrinhos’, etc. seriam mais importantes do que a vida humana?

Esse povo, que ainda hoje sofre, visto que vem das camadas inferiores da sociedade, que não ganha o suficiente para o sustento da família, que, pelas próprias condições, envolve-se mais do que os outros nas resenhas policiais, tem que ser homenageado.

E para marcar bem a data e incutir na cabeça do povo – especialmente da juventude – a importância do evento, é justo que seja feriado.

Não perceber, não reconhecer esse fato inconteste é desumano, é desleal, é até criminoso.

Como dizia o Pastor Karp (quem é ele não importa), se você conseguisse tirar toda a pele de um negro iria ver que ele é igualzinho a um branco também sem pele.

 

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