Condutores de rebanhos

 

‘Propôs-lhes também uma parábola: Pode, porventura, um cego guiar outro cego? Não cairão ambos no barranco?’ (Lucas 6:39)

‘Deixai-os. São cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no abismo’. (Mateus 15:14) 

Caro internauta, do ponto de vista da semântica, há uma grande, enorme diferença entre ‘pastor’ e ‘condutor de rebanho’.

O ‘pastor’ tem o seu perfil traçado na Palavra. É aquele que não só conduz, mas cuida, alimenta, protege, defende as ovelhas. Veja como Davi descreve o pastor no Salmo 23: 'O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas. Refrigera a minha alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome'.

Você pode perceber que nesse ‘pastor’ descrito na Bíblia não há o mínimo interesse ou suspeita. Além do que, o clima que ele cria para suas ovelhas é de refrigério e paz.

E, segundo os ensinos de Jesus, Ele próprio é o ‘Bom Pastor’: ‘Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. O mercenário, que não é pastor, a quem as ovelhas não pertencem, vê vir o lobo, abandona-as e foge. Então, o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas. Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem. Assim como o Pai me conhece eu conheço o Pai e dou a minha vida pelas minhas ovelhas’. (João 10:11-15)

Já ‘condutor’ supõe alguém que simplesmente arrebanha as ovelhas e as leva, ao seu bel-prazer ou, em outras palavras, segundo os seus interesses ou, no mínimo, de acordo com aquilo que vai em seu pensamento.

Assim, as ‘conduz’, as ‘direciona’ para um objetivo predeterminado.

‘Ovelha’, como você deve saber, presume docilidade, mansidão, insegurança, necessidade. Não se imagina alguém conduzindo lobos, ou hienas, ou dragões, visto que não aceitariam passivamente aquilo que o condutor lhes sugerisse, mas sim ‘ovelhas’. ‘Condutor’ de um lado e ‘ovelha’ de outro, é a receita perfeita para os espertos, os aproveitadores, os milagreiros, os portadores de dons, os vendedores de fetiches, os distribuidores de pedaços da cruz de Cristo, especialistas em descarrego, etc.

Se alguém fala: ‘Amanhã, às seis da manhã, no cume do monte para receber a bênção’, nada mais é preciso. A necessidade fala mais alto. Quem é que não tem problemas, doenças, dissensões em família?

Mas – certamente você estará se perguntando – então se eu pedir ao Pai, em nome de Jesus, com fé, não recebo aquilo de que preciso?

Sim, certamente. Só que você não precisa fazer parte do aparato utilizado por algumas igrejas para oferecer a você aquilo que Jesus dá de graça. Siga o ensino de Jesus e ‘quando orar, entre no seu aposento e, fechando a porta, ore a seu Pai que vê em oculto. E seu Pai que vê em oculto o recompensará’. (Mateus 6:6). ‘Para não parecer aos homens que você jejua. E o Pai que vê o que está oculto o recompensará’. (Mateus 6:18). Com a vantagem de que você não estará sendo enganado, manipulado, usado.

Porque ‘O amor não procura os seus interesses (...) e jamais acaba. Mas, havendo profecias, desaparecerão, havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos’. (Coríntios 13).

Infelizmente, os interesses seculares – especialmente os financeiros – têm levado pastores, muitas vezes com um excepcional dom na Palavra, a enveredar pelo caminho do dinheiro, que é impudentemente arrancado dos fiéis sob o aceno de bênçãos e milagres. E chegam a convencer as ‘ovelhas’ de que elas não são meros freqüentadores, mas até co-proprietários dos bens da organização, como TVs, jornais, gravadoras, etc.

Pena que outro ponto fraco da ‘ovelha’ é a ingenuidade!

 

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