
James C. Dobson, Ph.D
(Tradução: Herci)
Ainda me lembro da noite em que meu pai estava reunido com um grupo em uma barraca aberta onde havia mais gatos e cachorros que pessoas. Durante o seu sermão um gato da rua decidiu cochilar sobre o tablado. Sem querer, meu pai deu um passo para trás e colocou o salto do sapato justamente no rabo dele. O gato ficou literalmente louco, arranhando tudo, com o rabo sob o sapato do meu pai. Papai ficava muito absorvido quando orava e não notou a perturbação. Sob seu pé um verdadeiro pânico, com o gato arranhando o tapete, como que gritando por clemência, e ainda assim o salto de sapato não se moveu. Meu pai mais tarde disse que pensou que o guincho vinha dos freios de um automóvel ali perto. Quando finalmente tirou o pé do rabo do Tom, este correu como um foguete.
Acho que meu pai não estava bom dos ouvidos.
Esta história simboliza muitos casamentos do século XX. A esposa grita e move os braços no ar, retorcendo-se em dor, mas o marido parece alheio. Está preocupado com seus próprios pensamentos, não percebendo que um só passo em direção a ela pode aliviar a crise. E pasme-se de como um homem pode se tornar surdo nessas circunstâncias.
Conheço um ginecologista que não é só surdo, mas cego também. Ele telefonou para um amigo meu que também é ginecologia e pediu-lhe um favor:
- Minha esposa tem tido alguns problemas abdominais e está desconfortável esta tarde - disse. - Não quero tratar minha própria esposa e pensei se você a veria para mim.
Meu amigo convidou o doutor para trazer sua esposa para um exame, e descobriu (você está pronto para isto?) que ela estava grávida de cinco meses! Seu marido obstetra estava tão ocupado com outros pacientes que não notou que sua esposa estava tendo uma gravidez. E claro, devo admitir que essa mulher pudesse não ter atenção do marido até a concepção!
Existe outro aspecto da relação marido/mulher que devia ser também discutido pelo homem que quer entender sua esposa. A avaliação é do famoso autor Dr. Dennis Guernsey que chama a atenção para uma pesquisa de Rollins & Canyon e Outros que revela haver um padrão contrastante de “satisfação pessoal” entre maridos e esposas. A satisfação de uma mulher no trabalho do lar (o trabalho primário para uma dona de casa) sempre é maior no momento em que ela se casa. Mas seu comportamento provavelmente vai se alterar. Deteriora com o nascimento de seu primeiro bebê e assim continua à medida que seu filho vai crescendo. Alcança o ponto mais baixo na síndrome do "ninho vazio" - quando as crianças começam a sair de casa. Sua satisfação passa a se estabilizar na velhice.
A satisfação do marido no trabalho segue padrão oposto. Seu ponto baixo acontece no início do casamento, quando ele aceita um mal compensado status junto à mulher. Mas como trabalha tentando sempre subir, ele imagina recompensas emocionais maiores (e mais dinheiro) do seu trabalho. Esta satisfação pode continuar por vinte anos ou mais, com seu trabalho absorvendo mais e mais seu tempo e sua energia.
Obviamente o ponto de maior perigo acontece aos trinta ou quarenta anos, quando a esposa fica mais insatisfeita com seu trabalho doméstico e o marido mais escravizado em sua atividade profissional. Essa combinação subsiste com dificuldade, especialmente se o homem não sente nenhuma responsabilidade em ajudar sua esposa a lidar com seus anseios. (Por favor, lembre-se de os estudos refletem tendências e possibilidades estatísticas. Os indivíduos podem responder muito diferentemente).
Na ausência de apoio decidido dos maridos, como é que as mulheres lidam com as situações que eu descrevi? Todos nós sabemos que esse comportamento não acontece por acaso, mas é motivado por correntes emocionais poderosas agindo fundo na personalidade.
O leitor pode achar difícil acreditar que esse homem ama sua esposa, mas na verdade ele a ama. Sua falta da atenção certamente está relacionada a um fracasso nos negócio ou algo semelhante que torna difícil para ele dar atenção a sua esposa - ou até ouvir seus gritos. É provável que esteja enfrentando uma crise pessoal - que freqüentemente ajuda a desintegrar casamentos.
Se os mecanismos habituais falham em conseguir soluções viáveis para os problemas de conflito matrimonial, qual seria a resposta? Isso me leva ao desejo que sempre tive de falar diretamente com maridos e esposas. Nunca abandonei a diplomacia ao lidar com assuntos familiares. Assim, imploro sua tolerância. A crise atual nos casamentos exige uma aproximação corajosa à altura da magnitude do perigo.