A chegada

 

(continuação) 

 

CHEGADA À TERRA DE BRENAN, ONDE TUDO ERA BRENAN - O CONCURSO DO NOIVADO - NOVAMENTE A VELA DOS TRÊS PAVIOS

 

- Dentro de poucos instantes chegaremos a Brenan - declarou o pescador.

E assim aconteceu. Em curto espaço de tempo foram ter a uma das muitas praias de Brenan. O pescador soltou os tubarões e os viajantes sem dificuldade desceram para terra. Achavam-se na famosa Ilha de Brenan, cuja capital é Brenan, no golfo de Brenan, banhada pelo rio Brenan (em Brenan, tudo é Brenan!).

- E a capital de Brenan fica muito longe daqui? - perguntou o professor Nizir.

- Para chegar lá - respondeu o pescador - basta subir esse morro e atravessar a floresta.

- É urgente partir - declarou Zulik, o naturalista. - Sou responsável pela sorte do príncipe Atílio. Se chegarmos tarde, estará tudo perdido.

Diante daquela grave advertência, puseram-se a caminho.

Intenso e febril movimento, fora do comum, agitava a cidade de Brenan. Logo que a sombra da Torre da Hora cobrisse a quinta barra, deveria realizar-se o concurso entre o príncipe Atílio e o mágico Mazarão. O vencedor seria proclamado, naquele mesmo dia, noivo da formosa e delicada Zabely, filha do rei.

E em que iria consistir esse concurso?

Uma prova de salto? Luta de espadas? Uma corrida com obstáculos incríveis?

Neste ponto vejo-me, infelizmente, forçado a decepcionar o amável leitor. No "concurso do noivado" não haveria saltos, nem seriam disputadas corridas ou lutas de esgrima.

Vou explicar. Segundo estranho costume, tradicional em Brenan, todo aquele que almejasse o honroso título de Noivo da Princesa, deveria realizar, diante do rei e perante a corte, uma surpreendente mágica. Se essa mágica (na opinião dos juízes) não fosse excedida por outra, o pretendente seria proclamado vencedor. É claro que o vencedor passaria a ser noivo oficial da filha do rei e, uma vez realizado o casamento, receberia a coroa de príncipe real e o título de "herdeiro único do trono de Brenan".

Vejam bem: o marido da princesa seria o futuro rei de Brenan! E quem não desejaria ser, em sua pátria, o cidadão número um, o magistrado supremo?

E por que se exigia de um futuro monarca uma prova de mágica?

Eis a explicação:

Em Brenan estava o povo convencido de que a tarefa de governar é tão difícil que só os mágicos são capazes de levá-la a bom termo, isto é, governar sem oposição dos invejosos, com segurança e acerto.

Quis a sorte que o jovem Atílio se enamorasse da princesa Zabely. O seu ideal (muito louvável aliás) era tornar-se noivo daquela que ele sonhara para sua esposa. Como atingir esse ideal? Só havia um meio: era vencer, no "concurso do noivado' todos os mágicos que aparecessem. Encorajado pela esperança da vitória, começou o príncipe Atílio a estudar e praticar com encantadores e feiticeiros de renome todos os segredos da Magia.

O maior receio do namorado de Zabely era o seu competidor. E tinha razão. Os seus temores não eram infundados. Poucos dias antes do concurso, apresentara-se, vindo de país longínquo, um segundo candidato, o mágico Mazarão, apelidado "O Indiano", pois vivera muitos anos na Índia com faquires e encantadores de serpentes. Mazarão, além de famoso conhecedor de bruxarias, era hipnotizador perigoso e desleal.

Como geralmente acontece dividiu-se a população de Brenan em dois partidos. Uma parte, mais da metade, talvez, desejava a vitória do príncipe. Era o grupo do "Gavião Amarelo". O outro grupo, barulhento e agitado, era constituído pelos partidários do Indiano. Não raras eram as lutas e conflitos que se desenrolavam nas praças e nas ruas de Brenan. Bastava que um transeunte qualquer erguesse um viva a um dos candidatos para que os adversários do "vivado" se atirassem contra o imprudente e o espancassem, sem dó nem piedade. Corriam partidários em socorro do agredido e começava uma luta, que só terminava com a intervenção violenta dos agentes da polícia real, também chamados "pacificadores de Brenan". (Em geral esses pacificadores causavam mais danos e feridos do que os fanáticos agressores).

Na véspera do concurso o destemido Atílio recebera de seu mestre (o ancião que vivia na floresta) um aviso misterioso:

- "O Indiano só será vencido se tiveres a vela dos três pavios. De mim receberás esse talismã".

Mas onde estaria essa vela mágica?

 

(continua)

 

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