
Todos conhecem a história infantil da menina do Chapeuzinho Vermelho, da vovó que morava em uma floresta e do lobo que comeu a vovó.
Nas versões modernas do conto foram introduzidos diálogos e músicas para tornar ainda mais atraente a narrativa.
E, como não podia deixar de ser, Chapeuzinho, de certa forma, acompanhou-me através dos anos. Primeiramente, eu próprio deliciava-me com a história, contada por minha mãe e depois lida por mim próprio. E nunca foi esquecida (lembre-se de que Chapeuzinho é uma menina e, portanto, a palavra é feminina), porque depois vieram os filhos que muitas vezes a ouviam da boca do pai ou da mãe, e depois vieram os netos. É bem verdade que os netos praticamente não ouviam da boca dos avós, mas dos disquinhos, dos CD da Internet e da TV.
Lembrei-me que havia lido em algum lugar uns versinhos ou um poemeto sobre a historinha. Era em espanhol e deixou-me desde então admirado pela capacidade de síntese do autor que, em poucas palavras, descreveu a essência do conto.
Mas, onde o havia lido?
Comecei, há pouco tempo, uma busca pela Internet, sem resultados. Recordava-me de umas poucas palavras, como por exemplo: “Caperucita, la más pequeña de mis amigas, em dónde está?” (Caperucita é a palavra para pequeno capuz ou chapéu).
Cheguei a encontrar em um mecanismo de busca pela Internet até a repetição do verso acima, e mais nada.
Estava já desistindo, quando de lá do fundo da minha memória tirei a informação de que eu fizera curso de espanhol no segundo ciclo escolar.
Isso já veio criar uma porta para novas investigações – mas quais?
Ah, o livro! Sim, o livro ou livros que serviram de base ao curso.
Aí lembrei-me: “Curso de Español”, Idel Becker (o mesmo especialista em jogo de xadrez).
Daí fui à procura do tal livro nas bibliotecas públicas da Capital. Não achava em lugar nenhum, nem mesmo no Centro Cultural de São Paulo ou na Biblioteca Mário de Andrade.
Meu filho disse-me então que numa das bibliotecas da USP, no Campus Universitário, havia um exemplar do livro.
Mas como ele demorava para verificar, resolvi ligar para uns “Sebos”. Quem sabe algum deles teria, mesmo que velho e cheio de anotações. Para surpresa minha, encontrei a obra, pela qual desembolsei a importância de oito reais.
Estava ali a poesia. É um soneto que, lendo-o hoje, sinto a mesma emoção do tempo do Curso Colegial concluído há mais de cinqüenta anos.
Para não deixá-lo curioso, vai abaixo o soneto, na língua original – o espanhol, pois não teria sentido tentar traduzi-lo:
“Caperucita, la más pequeña
De mis amigas, ¿en dónde está?
- Al viejo bosque se fue por leña,
Por leña seca para amasar.
- Caperucita, di, ¿no há venido?
¿Cómo tan tarde no regresó?
- Tras ella todos al bosque han ido,
Pero ninguno se la encontró.
- Decidme, niños, ¿ qué es lo que passa?
¿Qué mala nueva llegó a la casa?
¿Por qué esos llantos? ¿Por qué esos gritos?
¿Caperucita no regresó?
- Solo trajeron sus zapatitos...
іDicen que un lobo se la comió!”