
Os homens não vivem apenas para o seu trabalho, sua família ou seu lazer, enfim, somente para coisas seculares. Todos nós temos uma missão espiritual a desempenhar, quer sejamos cristãos, espíritas, budistas ou muçulmanos.
Essa missão tem duas vertentes: se, por um lado, temos que cultivar a nossa fé e aprimorar o nosso comportamento, por outro sentimos um desejo incontido de anunciar, proclamar a fé que abraçamos. Eu não disse ‘discutir’, mas ‘anunciar’.
Veja os termos em que o profeta Isaías, ao ser comissionado por Deus para o seu ministério profético, disse ‘sim’ à convocação divina: ‘Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei e quem irá por nós? Então eu disse: Estou aqui, envie-me a mim’ (capítulo 6:8).
Quando Jesus chamou seus primeiros discípulos, a cena foi a mesma. À medida que Ele os convidava a segui-lo, eles iam deixando para trás os seus afazeres, os seus queridos, e foram após o Mestre.
Mateus assim relata a sua própria reação ao ser chamado para levar o evangelho aos que ainda não o conheciam: ‘Partindo Jesus dali, viu sentado na coletoria um homem chamado Mateus, e disse-lhe: Siga-me. E ele, levantando-se, o seguiu’ (Mateus 9:9). O mesmo ocorreu com os demais. Veja o nome dos doze discípulos em Mateus 10:1-4 e consulte o capítulo primeiro do evangelho de São João (especialmente do versículo 35 ao 51) sobre o assunto.
Assim como ocorreu com Isaías, Jesus enviou os seus discípulos para uma obra de pregação, orientando-os, na ocasião, sobre o que falar, o que fazer, como se comportar durante a viagem que empreenderiam. Eles foram também investidos de autoridade para curar e ressuscitar as pessoas, expulsar demônios e outros poderes mais (Mateus, capítulo 10). No episódio narrado em Atos dos Apóstolos, capítulo 4, versículos 14 a 20, os apóstolos Pedro e João, mesmo sob a ameaça de pessoas importantes que os interrogavam, disseram de maneira audaciosa: Nós não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido.
Isso é o que se requer dos verdadeiros seguidores de Jesus. Muito mais que abandonar pai, mãe, casa ou cidade, o que se espera é que os cristãos sejam corajosos, audazes e, acima de tudo, verdadeiros e coerentes. Seja o vosso falar – diz Jesus – sim, sim e não, não. O que passa disso é de procedência maligna (Mateus 5:37).
Como você vê, não é preciso abandonar tudo, como fizeram Pedro, Tiago, João, Bartolomeu e os outros, para anunciar a sua fé. Mas não deixe de falar. É aconselhável, como aconteceu com os discípulos antes de saírem para sua missão (eles fizeram seu aprendizado ao pé do Mestre), que você também se prepare convenientemente.
No meio evangélico há muitas oportunidades para se trabalhar na obra. Você pode falar, você pode escrever, como estou fazendo, pode ainda cantar, tocar instrumentos, visitar e orar por pessoas ou entidades. Trabalho é que não falta.