Celso Furtado

 

Celso Monteiro Furtado nasce a 26 de julho de 1920 em Pombal, no sertão paraibano. Em 1948 recebe o título de doutor na Universidade de Paris, Sorbonne.

Desde os anos 50 Furtado desenvolveu teorias sobre o desenvolvimento econômico e estudou em profundidade a história econômica do Brasil e a da América Latina. Seus livros ‘Formação Econômica do Brasil’ e ‘A Economia Latino-Americana’ foram traduzidos para uma dezena de línguas, inclusive para o chinês e o persa, e influenciaram a famosa “Escola dos Anais”, como reconheceu um de seus fundadores, o historiador Fernand Braudel. Seus estudos sobre a história dos Estados Unidos e a formação do capitalismo na Europa são considerados clássicos.

No governo Juscelino Kubitschek, assume uma diretoria do BNDE. É nomeado interventor no Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste e elabora para o governo federal o estudo "Uma política de desenvolvimento para o Nordeste", origem da criação, em 1959, da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), com sede no Recife.

Em 1961, como seu superintendente, encontra-se em Washington com o presidente John Kennedy, cujo governo decide apoiar um programa de cooperação com o órgão e, semanas depois, com o ministro Ernesto Che Guevara, chefe da delegação cubana à conferência de Punta del Este, para discutir o programa da ‘Aliança para o Progresso’. Em 1962 é nomeado, no regime parlamentar, o primeiro titular do Ministério do Planejamento, quando elabora o Plano Trienal apresentado ao país pelo presidente João Goulart por ocasião do plebiscito visando a confirmar o parlamentarismo ou a restabelecer o presidencialismo.

No ano seguinte deixa o Ministério do Planejamento e retorna à Superintendência da SUDENE, quando concebe e implanta a política de incentivos fiscais para os investimentos na região. O Ato Institucional nº. 1, publicado três dias depois do golpe militar de 31 de março de 1964, cassa os seus direitos políticos por dez anos.

Parte então para o exílio nos Estados Unidos.

Em 1965, muda-se para a França a convite da Faculdade de Direito e Ciências Econômicas da Universidade de Paris e assume a cátedra de professor de Desenvolvimento Econômico. É o primeiro estrangeiro nomeado para uma universidade francesa, por decreto presidencial do general De Gaulle.

Entre 1978-81 integra o Conselho Acadêmico da recém-criada Universidade das Nações Unidas, em Tóquio. No mesmo período recebe um mandato do Commitee for Developement Planning, da ONU. Entre 1982-85, como diretor de pesquisas da École des Hautes Études en Sciences Sociales, dirige em Paris seminários sobre a economia brasileira e internacional. A partir de 1979, quando é votada a Lei da Anistia, retorna com freqüência ao Brasil, reinsere-se na vida política e é eleito membro do Diretório Nacional do PMDB. Casa-se com a jornalista Rosa Freire d'Aguiar.

Em janeiro de 1985 é convidado pelo recém-eleito presidente Tancredo Neves para participar da Comissão do Plano de Ação do Governo. É nomeado embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Européia, em Bruxelas, assumindo o posto em setembro. Integra a Comissão de Estudos Constitucionais, presidida por Afonso Arinos, para elaborar um projeto de nova Constituição. Em março de 1986 é nomeado ministro da Cultura do governo do presidente José Sarney. Sob sua iniciativa, é aprovada a primeira lei de incentivos fiscais à cultura.

Em julho de 1988 pede demissão do cargo, retornando às atividades acadêmicas no Brasil e no exterior. Em 1987-90 integra a South Commission, criada e presidida pelo presidente Julius Nyerere e formada por países do Terceiro Mundo para formular uma política para o Sul. Entre 1993-95 é um dos doze membros da Comissão Mundial para a Cultura e o Desenvolvimento, da ONU/UNESCO, presidida por Javier Pérez de Cuéllar. Entre 1996-98 integra a Comissão Internacional de Bioética da UNESCO. Em 1997 é organizado em Paris, pela Maison des Sciences de l'Homme e pela UNESCO o congresso internacional, com a inestimável contribuição de Celso Furtado para os estudos do desenvolvimento, reunindo especialistas do Brasil, Estados Unidos, França, Itália, México, Polônia e Suíça.

Em agosto de 1997 é eleito para a cadeira número 11 da Academia Brasileira de Letras.

Em seus trabalhos mais recentes Furtado analisava o impacto da transnacionalização e da globalização na economia capitalista contemporânea. Da mesma forma, ele também aprofunda seus estudos sobre as dimensões culturais e sociais do desenvolvimento.

Amigo pessoal de Lula, Celso Furtado foi, junto com a economista Maria da Conceição Tavares, um dos padrinhos da indicação de Lessa para o BNDES. O economista esteve presente com o presidente na cerimônia de recriação da Sudene, em 28 de julho de 2003, e foi homenageado em vários momentos por Lula, que lembrou o impacto da afirmação do economista quando disse que o problema do Nordeste não era a seca, mas a falta de uma política coordenada de planejamento e desenvolvimento.

 

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