Carlos Magno

 

(02/04/747 - 28/01/814)

 

Rei da Aquitânia, Rei dos Francos e Imperador do Sacro Império talvez nascido em Ingolheim. Primogênito de Pepino, o Breve, rei dos francos e imperador do ocidente.

Derrotou o último rei merovíngio e proclamou-se rei dos francos. Ao morrer, Pepino deixou o reino dividido entre seus dois filhos: Carlos, que logo se tornou conhecido como Carlos Magno e Carlomano, cuja morte precoce pôs fim à rivalidade existente entre os irmãos. Casou-se com sua primeira esposa, Himiltrude, cujo casamento nunca foi oficialmente anulado; daí nasceu Pepino, o Corcunda (ano 767 a 813).

Casou-se depois com Ermengarda, às vezes dita Desiderata ou Desidéria, filha de Desidério, rei da Lombardia, mas não houve descendência e, ante as pressões do papa Estêvão IV, teve de repudiá-la. Casou-se com sua terceira esposa, Hildegarda de Sabóia, e teve vários filhos e filhas, entre eles os reis Carlos, o Jovem, da Nêustria, Carlomano, da Itália, Luís, da Aquitânia e dos Francos, e Lotário, gêmeo de Luís. A proteção dispensada pelo rei lombardo Desidério a sua filha, assim como à viúva de Carlomano, ao lado do pedido de ajuda do papa Adriano I, ocasionaram sua primeira grande campanha vitoriosa ao derrotar os lombardos em Pavia (774), coroando-se rei do território recém-conquistado.

Famoso por sua altura (1,92 m) e habilidade política, aprendeu a ler aos 32 anos, depois de conquistar na Itália o reino lombardo, fazer incursões contra os muçulmanos na Espanha conquistando a região da Catalunha, anexar a Baviera e os avaros na Hungria, estendendo seu poderio até as regiões do Danúbio, e submeter completamente os saxões, conseguiu reunir sob sua coroa quase toda a Europa cristã e ocidental.

Quando o papa Leão III foi expulso de Roma, refugiou-se na corte carolíngia. No ano seguinte o imperador o reempossou no trono pontifício e, com isso, obteve sua coroação como imperador, representando o surgimento do Sacro Império Romano-Germânico para fazer frente ao império iconoclasta bizantino. No natal do ano 800 foi coroado imperador do ocidente pelo papa Leão III, que disse: "A Carlos Magno, coroado por Deus, vida e vitória". Doze anos depois teve seu título reconhecido pelo imperador bizantino Miguel I.

Durante os 46 anos de seu reinado, promoveu grande desenvolvimento cultural e empreendeu mais de 50 guerras, para expandir o cristianismo e impor sua hegemonia no ocidente. Recebeu o título de maior soberano da Europa Medieval. A corte logo se tornou não apenas capital política e administrativa do império, mas também importante centro cultural e artístico e procurou elevar o nível cultural de seus domínios tão heterogêneos e dotá-los de uma eficaz estrutura econômica, administrativa e judicial. Soube rodear-se de sábios eminentes, entre os quais se destacaram Eginardo ou Einhard e Alcuíno de York. Criou uma rica biblioteca e procurou ampliar a cultura do clero, fomentando o estudo intensivo do latim nas escolas dos mosteiros e das catedrais. Após sua morte, o império desmoronou, porém sua personalidade continuou tão viva e forte que séculos mais tarde, o próprio Napoleão Bonaparte se proclamou seu sucessor.

A influência desse imperador chegou ainda mais longe: depois da segunda guerra mundial, quando se começou a discutir a criação de uma Europa ocidental unida, invocou-se seu modelo unificador. Teve seu título reconhecido pelo imperador bizantino Miguel I. Morreu em Aachen e foi canonizado mais de três séculos depois (1165).

Foi um antipapa que "canonizou" Carlos Magno, sem que existisse anteriormente qualquer devoção ou culto a este antigo Imperador.

Carlos Magno, como já vimos, teve incontáveis concubinas e filhos bastardos e massacrou 4.500 saxões - entre outros "feitos".

Ainda casou-se (784) com sua quarta esposa, Fastrada, e com ela teve Teodrada (784), abadessa de Argenteuil, e Hiltrude (787). Viúvo (794), casou-se novamente e pela última vez, mas não houve descendência. Ainda teve várias concubinas e filhos varões e foi sucedido por Luís I, o Piedoso. Seu vasto império fragmentou-se logo após sua morte e dentre os fatores que contribuíram para a sua desintegração, foram a grande extensão territorial e os parcos meios de comunicação da época. Também a diversidade de idiomas e de costumes dos povos que o integravam, os ataques dos Normandos e a crescente ambição dos nobres feudais, que souberam aproveitar-se da fraqueza dos seus sucessores e do costume de concessões de terras como recompensa de serviços prestados, vitalícias, no início, e hereditárias, depois.

 

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