C a r a c a l a

 

Nascido na Gália no ano 186 d.C., era o filho mais velho de Septímio Severo e da futura imperatriz e membro da aristocracia síria Julia Domna. Foi o sucessor de seu pai, que, na época de seu nascimento, era ainda o governador da Gália Lugdunense.

Com a ascensão ao poder de Septímio Severo, foi indicado ao trono imperial, como parte de uma estratégia de legitimação dinástica: foi nomeado César (herdeiro presuntivo) e imperador em 197, quando Severo estava no meio de uma guerra civil contra seu rival Cláudio Albino. Com a vitória de Severo, foi aceito pelos colégios sacerdotais e nomeado Augusto (co-imperador) em 198.

No ano 202 d.C., o Prefeito Pretoriano C. Fúlvio Plauciano, jurista eminente e figura muito influente junto ao imperador Severo, promoveu o casamento de sua filha Públia Fúlvia Plaucila com Caracala. Este, no entanto, que desconfiava das ambições políticas de Plauciano, detestava a ambos, recusando-se a ter qualquer relacionamento com a esposa. Depois da queda de Plauciano, mandou exilá-la. O próprio Caracala imaginou a trama que levou Plautianus à desgraça e à morte em 205 dizendo que ele pretendia matar os imperadores.

Caracala e o seu irmão mais novo, Geta, tinham ganhado fama de dissolutos e aos poucos a intensa rivalidade entre eles transformou-se em ódio. Ambos acompanhavam o pai nas campanhas da Bretanha. Por essa época, a instabilidade mental de Caracala começava a preocupar e, em certa ocasião teria quase esfaqueado o pai pelas costas perante todo o exército, ao que Severo teria reagido convidando-o ironicamente a matá-lo "já que estás no auge das tuas forças e eu sou um velho".

Depois da morte de Severo, em 211, Caracala e Geta encerraram a campanha britânica e voltaram para a cidade de Roma.

Severo parece haver pensado em alguma forma de colegiado que permitisse a seus dois filhos partilharem o poder, nos moldes da parceria entre Marco Aurélio e Lúcio Vero, mas a rivalidade entre Caracala e Geta impedia qualquer arranjo desta ordem. Ter-se-ia mesmo pensado numa divisão do império entre ambos, num esquema nos moldes da futura divisão entre Império Romano do Ocidente e Império Romano do Oriente, que, no entanto, não prosperou. Em Roma, a animosidade entre eles cresceu tanto que o palácio ficou dividido, e no fim do mesmo ano de 211 Caracala mandou matar o irmão em um ardil.

Caracala procurou caracterizar-se como imperador guerreiro: organizou operações defensivas contra os germanos, muito especialmente os "alamanos". Sua força como imperador provinha da habilidade com que conquistava a fidelidade dos soldados, Infelizmente para ele, sua política militar agressiva - combinada à elevação de soldos e a uma política de obras públicas ambiciosa, cujo maior resultado foi a construção, em Roma, das Termas de Caracala - exigia altos gastos, que a economia do Império Romano não podia suportar.

Sua instabilidade mental, o tratamento brutal aos seus adversários e sua política fiscal muito severa, além do tratamento privilegiado por ele concedido aos seus funcionários e aos soldados de carreira, fizeram com que se tornasse odiado - muito especialmente pela velha aristocracia do Senado Romano, que acabaria por caracterizá-lo como um monstro nos moldes de Nero e outros "maus" imperadores. 

Foi assassinado como resultado de uma conspiração urdida por seu prefeito pretoriano. Segundo a “História Augusta” teria sido apunhalado pelas costas na beira de uma estrada quando desceu da sua montaria para urinar.

O evento mais marcante do seu reinado talvez tenha sido a célebre Constitutio Antoniniana (também conhecida como Édito de Caracala ou Édito de 212), na qual concedia a cidadania romana a todos os habitantes livres do império - com exceção dos "deditícios", principalmente bárbaros vencidos reinstalados no Império como colonos agrícolas - e que parece ter tido um objetivo fiscal: aumentar a base tributária para cobrança do imposto sobre heranças.

O nome de nascimento de Caracala era Septímio Bassiano, e seu nome oficial como imperador foi, na verdade, o mesmo de seu predecessor Marco Aurélio, ao qual seu pai contava identificar-se pela via de uma adoção fictícia (oficialmente, Caracala era o "neto" de Marco Aurélio). O apelido de "Caracala", pelo qual é conhecido nos textos modernos, veio do nome do manto gaulês com capuz que usava freqüentemente. Foi sucedido pelo seu assassino, Macrino.

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Caracalla

 

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