
Lembro-me como se fosse hoje dos meus tempos de jovem na Igreja Presbiteriana de Marília.
A “mocidade” tinha várias atividades, como reuniões por departamento: “espiritual”, “literário”, “musical”, “recreativo”, etc.
Eu, por exemplo, tinha um número em que tocava gaita de boca para os presentes tentarem adivinhar algo sobre as músicas – nome, autor, cantor, etc.
E as danças, e as rodas, de que todos participavam?
Essas, como se pode imaginar, eram totalmente inocentes. Imagine, há mais de sessenta anos, como poderiam ser.
É claro que nesse ambiente entrava também o fator sexo, visto que, desde que o mundo é mundo é o que mais se faz. Só que de uma maneira muito velada, em que o simples roçar de braço com braço já produzia um arrepio na espinha.
Rodava-se no salão de braços dados e cantando “Olha o Macaco na Roda”, ou “Dona Arara, Está na Hora de se Casar”.
DJ’s e discotecas como as temos hoje não existiam. Dançar e abraçar o parceiro, num visível desejo de sexo, como hoje - han, han... Hoje nem se precisa ser casado, nem tem que ser sempre com a mesma pessoa...
Ainda me lembro de quando comecei a namorar a Jô, minha futura esposa. Isso cerca de dez anos depois, já em 1958 ou 1959. Para conseguir que ela levantasse um pouco a saia e me deixasse ver a sua perna foi muito difícil, mesmo porque não podia ter ninguém por perto.
Beijar (na boca) foi bem depois.
Não sei bem por que era assim. Coisa da evolução – ou involução - dos tempos. E nada tem a ver com o “antigamente”. É preciso lembrar que no tempo de Roma as pessoas já não eram assim tão recatadas... Muito pelo contrário – ali havia as mais tremendas orgias.
No tempo da França dos Reis e Imperadores, idem. Era uma libertinagem colossal.
A verdade é que aprendemos que as coisas, em matéria de sexo, são melhores quando se aguarda o momento certo. Assim aprendi e assim agi.
Não diria o mesmo de meus filhos e de meus netos.