Café - crise de 1929

 

1906: A produção brasileira de café já superava os 20 milhões de sacas. Com os preços em queda, os presidentes das províncias celebram o Convênio de Taubaté, (política de valorização do preço do café), fixando o preço mínimo. Entre as resoluções estão: fundo para a estabilização do câmbio e imposição de taxa proibitiva para impedir o surgimento de novas plantações.

Visando a solucionar o problema do excesso de produção, os governadores dos estados produtores adotariam medidas visando desencorajar a expansão das lavouras pelos cafeicultores.

Celso Furtado aponta como a maior falha dessa política de valorização artificial do café não se ter incentivado a diversificação da pauta de exportações brasileiras, por meio de subsídios, para assim aliviar a pressão da oferta interna sobre a tendência da queda de preços verificada na época.

1909: Primeiros efeitos da política de valorização: os preços internacionais começaram a subir, enquanto a caixa de conversão conservava o câmbio artificialmente baixo.

1914: Durante a 1ª Guerra Mundial, o Brasil enfrenta dificuldade para vender seu produto no exterior. O governo federal e o estado de São Paulo começaram a subsidiar o produto, comprando e estocando.

1917: São Paulo acumula estoque de 3 milhões de sacas.

1920: Vem o descontrolado e excessivo aumento da produção do café, cuja safra chegava a espantosos 21 milhões de sacas para um consumo mundial de 22 milhões, sem nenhum controle técnico/econômico de bom senso sobre o plantio e a produção.

1929: Já havia uma série de falências e concordatas muito antes da quebra de Wall Street,

Para piorar o contexto, em Outubro de 1929 os fazendeiros ainda estavam exportando a safra de 1927!!

Previa-se um déficit de 120.000 contos de réis no orçamento de 1930.

O valor da saca de café, que era 200.000 réis em Agosto de 1929, caiu para 20.000 réis em Janeiro de 1930!

Em Outubro de 1929 o Brasil pretendia emprestar US$ 50 milhões para permitir que o Instituto do Café ajudasse os fazendeiros paulistas, só que o governo americano recusou o empréstimo, pois não havia mais dinheiro disponível nos EUA.

Um empréstimo de emergência foi feito para alavancar o banco do Estado de São Paulo tendo como único motivo a necessidade de financiar o Instituto do Café de São Paulo. O comércio e a indústria diminuem o movimento com a recessão e, como não havia dinheiro na praça, as fábricas quebram, gerando um enorme desemprego em cascata que se alastra por todos os segmentos sociais.

No Brasil aparecem notícias de falências, concordatas e tragédias familiares.

No interior o café é queimado devido ao alto custo da estocagem das safras de vários anos.

Algumas forças políticas vêem em Vargas a forte opção para se contrapor a Washington Luís e à política do café com leite.

Com o crash do café em 1929 e o tremendo empobrecimento dos fazendeiros que se segue, muda definitivamente o padrão socioeconômico e o poder passa, rapidamente, das grandes famílias agrárias brasileiras para os industriais/empresários urbanos, majoritariamente estrangeiros, de origens e culturas diferentes, onde o que qualifica e diferencia a importância das famílias é a quantidade de dinheiro que elas têm e que estabelece a hierarquia social, sendo a única linguagem comum compreendida por todos esses novos atores da transformação social.

Assim sendo, o secular poder da aristocracia agrária brasileira passa radicalmente para os industriais e comerciantes, que se instalam como os novos mandatários do poder e donos do dinheiro e são eles que passam a moldar a dinâmica social com o êxodo no campo e a urbanização da nova sociedade através de uma linguagem sem fronteiras, que é a do dinheiro e o que ele pode comprar.

Essa nova sociedade que se forma no rastro da crise de 1929, tanto no país, como no mundo, segue em uma transformação acelerada até eclodir a 2ª Guerra Mundial.

 

http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=1060

 

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